Conteúdo das Disciplinas e Credenciais do Corpo Docente

 

PRIMEIRO SEMESTRE DE 2006
 
 
DISCIPLINA 1: Introdução à História da Psicopatologia

 

30 HORAS/AULA

                              

RESPONSÁVEL: Maria Lúcia de Moraes Borges Calderoni

Psicóloga graduada pelo Instituto de Psicologia da USP, psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, Coordenadora de Equipe Clínica e do Programa de Recepção na Clínica Psicológica do Instituto Sedes Sapientiae, Professora de Introdução à História da Psicopatologia no Curso de Pós-Graduação em Psicopatologia das Faculdades Tancredo Neves (2001). 

 

PROGRAMA

 

OBJETIVOS:

Tendo como ponto de partida elementos da história do pensamento e da medicina que foram precursores da psicopatologia, esta disciplina visa oferecer subsídios para contextualizar o seu surgimento histórico, apresentando uma visão das condições que permitiram o seu advento como um campo do saber discriminado da psicologia e da psiquiatria, além de situar os alunos quanto à origem e o sentido da psicopatologia em sua trajetória ao longo da cultura ocidental, bem como traçar um breve panorama de seu desenvolvimento até os dias de hoje, destacando as formas historicamente determinadas de atenção à criança, ao adolescente e à família e procurando correlacioná-las às noções de doença mental, transtorno mental e saúde mental.  

 

JUSTIFICATIVA:

Considerando a abordagem histórica como fundamental para a compreensão do lugar que a psicopatologia ocupa no pensamento científico contemporâneo, assim como para uma reflexão sobre as perspectivas que esse campo do conhecimento tem a oferecer, acreditamos que é parte indispensável de um programa de formação na área, uma introdução às vicissitudes que demarcaram seu percurso histórico e que determinaram a sua forma atual.

 

CONTEÚDO:

a) as diversas significações do termo ‘psicopatologia’ do ponto de vista etimológico e histórico-filosófico a partir de suas raízes na história do pensamento grego antigo;

 

b) a variedade de definições contemporâneas e suas relações com suas significações originárias, em especial quanto à problematização histórica da questão dos critérios de normalidade em psicopatologia;

 

c) as concepções mágica e médico-filosóficas na pré-história da psicopatologia; as antigas concepções de doença;

 

d) o nascimento da clínica psiquiátrica e os primórdios da psiquiatria;

 

e) as origens da psicopatologia;

 

f) as principais correntes psicopatológicas em termos de sua história e tendências:

   - a corrente organicista

   - a psicanálise

   - a corrente fenomenológica

   - a corrente psicossociológica 

 

BIBLIOGRAFIA (em conformidade aos pontos programáticos da disciplina):

 

a) Brandão, J. S. – Mitologia GregaI, Editora Vozes, Petrópolis, 1989;

   Calderoni, M.L.M.B. – As origens da História da Cura pela Palavra – algumas notas a partir de uma leitura psicanalítica, inédito, 1993;

   Chauí, M. - anotações de aula do Curso sobre o IV livro da Etíca de Baruch Espinosa,    Pós-Graduação, Instituto de Filosofia da USP, 1988;

   Costa Pereira, M.E. – ‘Minkowski ou a psicopatologia como psicologia dos pathos humano’ in Revista Latino-Americana de Psicopatologia Fundamental, vol III, nº 4, Editora Escuta, São Paulo, 2000;

   Lebrun, G. – ‘O Conceito da Paixão’ in Os Sentidos da Paixão, Funarte/Companhia das Letras, São Paulo, 1987;

 

b) Canguilhem, G. – O Normal e o Patológico, 5ª edição, Forense Universitária, Rio de Janeiro, 2000;

   Costa Pereira, M.E. – ‘Formulando uma Psicopatologia Fundamental’ in Revista Latino-Americana de Psicopatologia Fundamental, vol 1, nº 1, Editora Escuta, São Paulo, 1998;

   Dalgalarrondo, P. – ‘Aspectos gerais da Psicopatologia’ – 1ª Parte de Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais, Editora Artes Médicas, 2000;

    Laín Entralgo, P. – La relación médico-enfermo, Alianza Editorial, Madrid, 1983;

    Minkowski, E. – ‘Breves reflexões a respeito do sofrimento (aspecto pático da existência) in Revista Latino-Americana de Psicopatologia Fundamental, vol III, nº 4, Editora Escuta, São Paulo, 2000.

   Sonernreich, C, Estevão, G e Altenfelder Silva, L.M. – ‘Notas sobre psicopatologia’ in Revista Latino-Americana de Psicopatologia Fundamental, vol II, nº 3, Editora Escuta, São Paulo, 1999;

                                  

c) Calderoni, M.L.M.B. – As origens da História da Cura pela Palavra algumas notas a partir de uma leitura psicanalítica, inédito, 1993;

   Laín Entralgo, P. – La relación médico-enfermo, Alianza Editorial, Madrid, 1983;

   Laín Entralgo, P. – La Medicina Hipocrática, Alianza Editorial, Madrid, 1970;

   Laín Entralgo, P. – La curación por la palabra em la antigüedad clasica, Anthropos Editorial Del Hombre, Barcelona, 1987;

   Laín Entralgo, P. – Historia de la Medicina, Editora Masson, Barcelona, 1998;

   Lévi-Strauss, C. – ‘O Feiticeiro e sua Magia’ e ‘A Eficácia Simbólica” in Antropologia Estrutural, Biblioteca Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, 1975.

d) Beauchesne, H. – História da Psicopatologia, Martins Fontes, São Paulo, 1988;

   Foucault, M. – Doença Mental e Psicologia, Biblioteca Tempo Universitário, Edições Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, 1975;

   Foucault, M. – História da Loucura, Editora Perspectiva, , São Paulo, 1978;

   Guedez, A. – Foucault, iniciação e debate, Melhoramentos, Editora da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1977;

   Kremer-Marietti, A. – Introdução ao Pensamento de Michel Foucault, Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1977;

   Laín Entralgo, P. – Historia de la Medicina, Editora Masson, Barcelona, 1998;

   Pessotti, I. – Os Nomes da Loucura, Editora 34, São Paulo, 1999.         

 

e) Beauchesne, H. – História da Psicopatologia, Martins Fontes, São Paulo, 1988

   Fedida, P. - ‘De uma psicopatologia Geral a uma psicopatologia fundamentoal. Nota sobre a noção de paradigma’ in Revista Latino-Americana de Psicopatologia Fundamental, vol I, nº 3, Editora Escuta, São Paulo, 1998 (publicado originalmente em Fédida, P. Crise et contre-transfert, PUF, Paris, 1992);

   Garcia-Roza, L.A. – Freud e o inconsciente, Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 1994;

   Laín Entralgo, P. – Historia de la Medicina, Editora Masson, Barcelona, 1998;

   Paim, I. – História da Psicopatologia, Editora Pedagógica e Universitária, São Paulo, 1993.

 

f) Beauchesne, H. – História da Psicopatologia, Martins Fontes, São Paulo, 1988;

   Dalgalarrondo, P. - Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais, Editora Artes Médicas, 2000;

   Mezan, R. – Freud, a conquista do proibido, Ateliê Editorial, São Paulo, 2000;

   Costa Pereira, M.E. – ‘Bleuler e a invenção da esquizofrenia’ in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. III no. 1, Editora Escuta, São Paulo, 2000;

   Costa Pereira, M.E. – ‘A dor de não poder morrer. Sobre o ‘delírio das negações’ de Jules Cotard’ in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. I no. 4, Editora Escuta, São Paulo, 1998;

   Costa Pereira, M.E. – ‘O ‘automatismo mental’ e a ‘erotomania’, segundo Clérambault’ in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. II no. 1, Editora Escuta, São Paulo, 1999;

   Costa Pereira, M.E. – ‘Minkowski ou a psicopatologia como psicologia dos pathos humano’ in Revista Latino-Americana de Psicopatologia Fundamental, vol III, nº 4, Editora Escuta, São Paulo, 2000;

   Costa Pereira, M.E. – ‘A introdução do conceito de ‘estados-limítrofes’ em psicanálise: o artigo de A. Stern sobre ‘the borderline group of neuroses’ ’ in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. II no. 2, Editora Escuta, São Paulo, 1999;

   Costa Pereira, M.E. – ‘C’est toujours la même-chose: Charcot e a descrição do Grande Ataque Histérico’ in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. II no. 3, Editora Escuta, São Paulo, 1999;

   Costa Pereira, M.E. – ‘De uma hereditariedade não-fatalista: o ‘endógeno’ e o Typus melancolicus, segundo Tellenbach’ in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. II no. 4, Editora Escuta, São Paulo, 1999;

Costa Pereira, M.E. – ‘Sobre os fundamentos da psicoterapia de base analítico-existencial segundo Ludwig Binswanger’ in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. IV no. 1, Editora Escuta, São Paulo, 2001;

   Costa Pereira, M.E. – ‘Apresentação a ‘Da anorexia histérica’’ in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. I no. 3, Editora Escuta, São Paulo, 1998;

   Costa Pereira, M.E. – ‘Kraepelin e a criação do conceito de ‘Demência Precoce’’ in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. IV no. 4, Editora Escuta, São Paulo, 2001;

   Dalgalarrondo, P. e Galdini Raimundo Oda, A. M. – ‘A paranóia, segundo Juliano Moreira e Afranio Peixoto’ in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. IV, no. 2, Editora Escuta, São Paulo, 2001;

   Galdini Raimundo Oda, A. M. – ‘Nina Rodrigues e A Loucura epidêmica de Canudos’ in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. III no. 2, Editora Escuta, São Paulo, 2000;

   Garcia de Araújo, J. N. – ‘Erwin W. Straus (1891-1975)’ in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. III, no. 3, Editora Escuta, São Paulo, 2000;

   Moreira, V. – ‘Psicopatologia, fenomenologia e cultura: a contribuição de Arthur Tatossian’ in Revista Latino-Americana de Psicopatologia Fundamental, vol IV, nº 3, Editora Escuta, São Paulo, 2001;

   Winnicott, D.W. – ‘Classificação: existe uma contribuição psicanalítica à classificação psiquiátrica?’ in O Ambiente e os processos de maturação, Artes Médicas, Porto Alegre, 1990;

 

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ao ítem ‘f’: (textos clássicos da Psicopatologia ilustrativos das tendências e escolas estudadas):

 

- Binswanger, L. – ‘Sobre a Psicoterapia’ in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. IV nº. 1, Editora Escuta, São Paulo, 2001;

- Bleuler, E. ‘Demência precoce - O conceito da enfermidade’ in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. III nº. 1, Editora Escuta, São Paulo, 2000;

- Charcot, J.M. – ‘A grande histeria ou hístero-epilepsia’ in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. II no. 3, Editora Escuta, São Paulo, 1999;

- Cotard, J. ‘Do delírio do hipocondríaco em uma forma grave da melancolia ansiosa – 1880’ in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. I no. 4, Editora Escuta, São Paulo, 1998;

- De Clérambault, G.G. – ‘Os delírios passionais: erotomania, revindicação, ciúmes’ in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. II no. 1, Editora Escuta, São Paulo, 1999;

- Kraepelin, E. – ‘Introdução à psiquiatria clínica (1905) Terceira Lição: Demência Precoce’ in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. IV nº. 4, Editora Escuta, São Paulo, 2001;

- Laségue, C ‘ Da Anorexia histérica’ in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. I no. 3, Editora Escuta, São Paulo, 1998;

-    Minkowski, E. – ‘Breves reflexões a respeito do sofrimento (aspecto pático da existência) in Revista Latino-Americana de Psicopatologia Fundamental, vol III, nº 4, Editora Escuta, São Paulo, 2000;

-    - Moreira, J. e Peixoto, A. – ‘A paranóia e as síndromes paranóides’ in Revista Latino-Americana de Psicopatologia Fundamental, vol IV, nº 2, Editora Escuta, São Paulo, 2001;

- Rodrigues, N. – ‘A loucura epidêmica de Canudos, Antonio Conselheiro e os jagunços’ in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. III nº. 2, Editora Escuta, São Paulo, 2000;

- Stern, A. – ‘Investigação psicanalítica e terapia do grupo de neuroses limítrofes’ in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. II no. 2, Editora Escuta, São Paulo, 1999;

- Straus, E.W. – ‘Uma perspectiva existencial do tempo’, in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. III no. 3, Editora Escuta, São Paulo, 2000;

- Tatossian, A. – “Culturas e psiquiatria’ in Revista Latino-Americana de Psicopatologia Fundamental, vol IV, nº 3, Editora Escuta, São Paulo, 2001;

- Tellenbach, H. – ‘A endogenidade como origem da melancolia e do tipo melancólico’ in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. II no. 4, Editora Escuta, São Paulo, 1999;

 

 

DISCIPLINA 2: Semiologia e Psicopatologia Psiquiátrica

 

30 HORAS/AULA

 

RESPONSÁVEL: Daniela Kurcgant

Médica graduada pelo Centro de Ciências Médicas e Biológicas da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP); psiquiatra com residência médica em psiquiatria no Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP); Médico-Assistente do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, onde dá aulas sobre "Interconsulta Psiquiátrica" para os alunos de graduação e da residência médica e supervisiona o atendimento dos alunos e residentes na Interconsulta e Ambulatório; docente do Departamento de Psicodinâmica da Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; mestre em História da Ciência pelo Programa de Estudos Pós-Graduados em História da Ciência da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

 

PROGRAMA

 

OBJETIVOS:

Capacitar o aluno a identificar as principais funções psíquicas e seus distúrbios; desenvolver o raciocínio clínico que permita o agrupamento dos sintomas na delimitação das síndromes psicopatológicas nas crianças, adolescentes e adultos.  

 

JUSTIFICATIVA:

A semiologia e a psicopatologia são entendidas como base de sustentação da formação do profissional de saúde mental. Saber observar com cuidado, olhar e enxergar, ouvir e interpretar, desenvolver um raciocínio clínico crítico são condições essenciais ao diagnóstico, tratamento e intervenção do profissional da área de saúde mental.

 

CONTEÚDO:

Inicialmente serão abordados aspectos gerais da psicopatologia. Neste bloco pretende-se definir a psicopatologia psiquiátrica, apontar sua interface com outras áreas do conhecimento e expor os princípios gerais do diagnóstico psiquiátrico. Para isto serão utilizados textos de introdução ao assunto. No segundo bloco será abordada a entrevista junto ao paciente, as funções psíquicas elementares e suas alterações. Finalmente, no terceiro bloco serão abordadas as síndromes psicopatológicas. Para isto, serão utilizados textos e trechos de filmes comerciais previamente selecionados que ilustrem alguns aspectos discutidos. 

 

BLOCO I: 

Definição de Psicopatologia Psiquiátrica

Princípios gerais do diagnóstico psiquiátrico

 

BLOCO II:

Entrevista com o paciente

A consciência e suas alterações

A atenção e suas alterações

A memória e suas alterações

A orientação e suas alterações

A sensopercepção e suas alterações

A afetividade e suas alterações

O pensamento e suas alterações

O juízo de realidade e suas alterações

A psicomotricidade e suas alterações

Funções psíquicas compostas

 

BLOCO III:

Síndromes psiquiátricas

 

BIBLIOGRAFIA:

 

ALONSO FERNANDES, F. Fundamentos de la psiquiatria actual. Madrid,

Paz Montalvo, 1977, volume 1.

 

BERRIOS, G. E. The history of mental symptoms. Cambridge, Cambridge

University Press, 1996.

 

BLEULER, E. Tratado de psiquiatria. 10ª ed. Trad. castelhana de Alfredo

Guerra Miralles. Madrid, Espasa-Calpe, 1967.

 

CABALEIROS GOAS, M. Temas psiquiátricos. Madrid, Paz Montalvo, 1959.

 

DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos

Mentais, Porto Alegre, Artmed, 2000.

 

HIRSCH, S. R. & SHEPERD, M. Themes and variations in european

psychiatry. Bristol, John Wright & Sons, 1974.

 

JASPERS, K. Psicopatologia geral. Trad. brasileira Samuel Penna Reis. Rio

de Janeiro, Atheneu, 2000.

 

JOSEPH, R. Neuropsychiatry, Neuropsychology, and Clinical Neuroscience.

            2ª ed. Baltimore, Williams & Wilkins, 1996.

 

KAPLAN, H. I. & SADOCK, B. J. Tratado de psiquiatria. 3ª ed. Porto

Alegre, Artmed, 1995.

 

KRAEPELIN, E. Clinical psychiatry. Fac-simile. Nova Iorque, Scholars’

Facsimiles & Reprints, 1981.

 

LUDWIG, A. M. Principles of Clinical Psychiatry. 2ª ed. Londres, Collier

Macmillan Publishers, 1987.

 

NOBRE DE MELO, A. L. Psiquiatria. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira,

1979.

 

PAIM, I. Curso de Psicopatologia. 11ª ed. São Paulo, Pedagógica e

Universitária, 1993.

 

PAIM, I. Estudos psiquiátricos. Campo Grande, Solivros, 1998.

 

SCHNEIDER, K. Psicopatologia clínica. São Paulo, Mestre Jou, 1976.

 

FILMES:

 

"A Excêntrica Família de Antonia"

 

" Melhor é Impossível"

 

" Ciúme - Inferno de Amor Possessivo"

 

"O Pescador de Ilusões"

 

"Mr. Jones"

 

"Tempo de Despertar"

 

"Máfia no divã"

 

 

DISCIPLINA 3: Psicopatologia Psicanalítica da Criança

30 HORAS/AULA 

 

RESPONSÁVEL: Leila Salomão L. P. Cury Tardivo

Professora Doutora do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da USP, nos níveis de graduação e pós-graduação (Linha de Pesquisa: Investigações em Psicanálise). Coordenadora do Laboratório de Saúde Mental e Psicologia Clínica Social, onde são contemplados projetos de mestrado, doutorado e os estágios curriculares de Psicopatologia. Responsável pelas disciplinas da graduação: Psicopatologia Geral e Psicologia do Excepcional e supervisora de Métodos de Exploração e Diagnóstico em Psicologia Clínica. Supervisora do Curso de Especialização de Psicoterapia Psicanalítica do IPUSP. Psicóloga Colaboradora do Grupo de Interconsultas do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP. Participação e organização de congressos nacionais e internacionais. Publicações: livros, capítulos de livro e artigos nacionais e internacionais.

PROGRAMA 

 

OBJETIVOS:
Esta disciplina visa a oferecer uma compreensão da criança, enquanto ser em desenvolvimento, e dentro desta visão buscar um conhecimento das manifestações psicopatológicas na infância, num enfoque psicanalítico. Desta forma, buscar um embasamento que permita a compreensão e as decorrências técnicas desta na clínica infantil nos dias de hoje. 

 

JUSTIFICATIVA:
O conhecimento da infância como período crítico e básico na estruturação do ser humano é fundamental num curso de especialização que se oferece como um espaço para conhecer e discutir as manifestações da psicopatologia. Particularmente, os pressupostos, observações e evidências advindas da Psicanálise se revestem de um caráter formador para profissionais que pretendem compreender e intervir nas condições de vida decorrentes da Psicopatologia em geral, e, em particular, da criança.

 

CONTEÚDO:
O programa da disciplina se desenvolve a partir do conhecimento das fases de desenvolvimento da criança, enfocando em especial os conflitos,  angústias e conquistas de cada uma delas, seguindo uma leitura psicanalítica. A partir destes pressupostos, será realizado um estudo das manifestações psicopatológicas na infância, seguindo as fases de desenvolvimento e os quadros clínicos.

Serão utilizados textos fundamentais de importantes autores que se dedicaram a este estudo, a começar pelo genial criador da Psicanálise, S. Freud. Em se tratando da criança, a disciplina deverá se fundamentar também em pressupostos da teoria kleiniana e sua contribuição para a compreensão das manifestações psicopatológicas na infância. A disciplina deverá ainda se apoiar na leitura de textos de Winnicott, autor que se dedicou sobremaneira à discussão dos princípios básicos que norteiam o desenvolvimento infantil, cuja compreensão é fundamental na apreensão da psicopatologia da criança.

Toda a disciplina envolverá a exposição e discussão de casos clínicos, com material trazido pelos participantes e/ou pela docente, de forma a ilustrar e discutir a teoria à luz da experiência prática, considerando que teoria e prática estão indissociavelmente unidas na Ciência Psicológica. 

 

As aulas serão desenvolvidas em conformidade aos seguintes temas:

 

A- O Desenvolvimento segundo a teoria freudiana – As Séries  Complementares.
1 – A Fase Oral – a Dependência

2 – A Fase Anal – A Posse

3 – A Fase Fálica

4 – O Período da Latência

5 –  Adolescência

 

B – Os Pressupostos da Teoria Kleiniana

1 – O Conceito de Fantasia Inconsciente

2 – As Posições – Esquizoparanóide e Depressiva

 

C – O Desenvolvimento Emocional Primitivo - Winnicott

D – As Neuroses na Infância  

1 – Neurose Obsessivo-Compulsiva

2 – Fobias

3 – Histerias

4 – Manifestações psicossomáticas na infância

 

E – Depressão na Infância

F – Psicoses Infantis  – Autismo

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

Aberastury, A – A Criança e Seus Jogos, Porto Alegre, Artes M’;edicas, 1982  

Ajuriaguerra, J. - Manual de Psiquiatria Ifantil, Rio de Janeiro, Atheneu, 1981.

Alvarez, A – Companhia Viva

Freud, S”, Conferências introdutórias sobre psicanálise, in Edição Standard das Obras Completas de Sigmund Freud, Vol. XVI, Rio de Janeiro, Imago, 1996, pp. 281-292.

Freud, S. “Análise de uma fobia em um menino de cinco anos”, in Edição Standard das Obras Completas de Sigmund Freud, Vol. X, Rio de Janeiro, Imago, pp. 13-158. 

Freud, S. “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade” (A sexualidade infantil), in Edição Standard das Obras Completas de Sigmund Freud, Vol. VII, Rio de Janeiro, Imago, 1996, pp. 163-189.

Freud. S . O Id e o Ego Edição Standard das Obras Completas de Sigmund Freud, Vol. VII, Rio de Janeiro, Imago, 1996

Klein, M – Psicanálise da criança, São Paulo, Mestre Jou, 1981

Klein, M – Notas Sobre Mecanismos esquizóides in Progressos da Psicanálise, Rio de Janeiro Zahar Ed, 1982

Klein, M – Contribuições à Psicanálise , São Paulo, Mestre Jou, 1981

Segall, H. – Introdução à Obra de M. Klein , Rio de Janeiro Imago, 1975

Simon, R. – Introdução à Psicanálise : Melanie Klein, São Paulo, E.P.U , 1986

Soifer, R. – Psiquiatria Infantil Operativa, Porto Alegre, Artes Médicas, 1987

WINNICOTT, D. W. O Ambiente e os Processos de Maturação, Artes Médicas, 1990.

WINNICOTT, D. W. (1945). Da pediatria à psicanálise: obras escolhidas. Rio de Janeiro: Imago, 2000. (particularmente o Cap. XII: Desenvolvimento emocional primitivo, p. 218-232).

 

 

DISCIPLINA 4: Introdução à Psicofarmacologia

 

30 HORAS/AULA

 

RESPONSÁVEL: Clarice Gorenstein

Psicofarmacologista; mestrado e doutorado pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP; pós-doutorado no National Institutes of Health, USA; Profa. Associada do Departamento de Farmacologia do ICBUSP, Pesquisadora do LIM-23, Instituto de Psiquiatria FMUSP; Professora Credenciada nos Programa de Pós-Graduação em Farmacologia do ICBUSP, em Neurociências e Comportamento do IPUSP; em Fisiopatologia Experimental da FMUSP; em Psiquiatria da FMUSP; Pesquisadora do CNPq.

 

PROGRAMA

 

OBJETIVOS:

Familiarizar os alunos com os conceitos básicos de farmacologia e aspectos principais da farmacologia de psicofármacos, considerando suas repercussões terapêuticas.

 

JUSTIFICATIVA:

O conhecimento dos fundamentos da psicofarmacologia é essencial para a compreensão de uma das modalidades mais importantes de tratamento dos transtornos mentais. O arsenal terapêutico que envolve os psicofármacos tem aumentado nos últimos anos, principalmente em função dos avanços nas neurociências. A disciplina de introdução à psicofarmacologia insere-se no curso de especialização em psicopatologia por fornecer os subsídios necessários para a compreensão dos recursos medicamentosos disponíveis para tratar os principais transtornos mentais.

 

CONTEÚDO:

O programa da disciplina compreende os seguintes tópicos:

 

Princípios gerais de farmacologia – Conceitos gerais de farmacocinética – absorção, distribuição, biotransformação, indução e inibição enzimática, excreção – farmacologia molecular – conceitos de receptor farmacológico e tipos de interação com droga-receptor; fenômenos de neuroadaptação – tolerância e dependência; interações medicamentosas; fatores que interferem na ação de fármacos.

 

Fundamentos de neurotransmissão – sinapse, neurotransmissão, plasticidade neuronal; principais neurotransmissores – distribuição anatômica das vias do neurotransmissor, características, funções, tipos de receptores, segundos mensageiros.

 

Mecanismos gerais da ação de psicofármacos – principais locais de ação pré-sináptica e pós-sináptica, mecanismos intracelulares; conseqüências da administração aguda e crônica.

 

Farmacologia dos Ansiolíticos e Hipnóticos – descrição clínica da ansiedade, bases biológicas da ansiedade, tipos de tratamentos medicamentosos, mecanismos de ação, efeitos colaterais, interação medicamentosa; descrição clínica da insônia, farmacologia dos medicamentos usados na insônia.

 

Farmacologia dos Antidepressivos – descrição clínica dos transtornos de humor, hipóteses biológicas dos transtornos afetivos; teorias da ação de antidepressivos; farmacologia dos antidepressivos clássicos (inibidores da MAO e antidepressivos tricíclicos); farmacologia dos inibidores seletivos de recaptação de noradrenalina e serotonina, farmacologia de outros antidepressivos.

 

Drogas Estabilizadoras do Humor – farmacologia do lítio; farmacologia dos anticonvulsivantes; outras drogas utilizadas no tratamento do transtorno bipolar.

 

Farmacologia dos Antipsicóticos – descrição clínica das psicoses; bases biológicas da esquizofrenia; mecanismos da ação dos antipsicóticos típicos, principais efeitos colaterais; mecanismos de ação dos antipsicóticos atípicos, principais efeitos colaterais.

 

Farmacodependência: bases biológicas da farmacodependência; mecanismos de adição; dependência rebote e abstinência; características das principais drogas de abuso; modelos integrados de dependência.

 

Métodos de Avaliação em Psicofarmacologia – modelos animais; ensaios clínicos em humanos – principais características do desenho experimental, instrumentos de avaliação, aspectos éticos.

 

BIBLIOGRAFIA (em conformidade aos pontos programáticos da disciplina):

 

GORENSTEIN, C. Princípios Gerais da Ação de Psicofármacos. Em: T.A. Cordás & R.A. Moreno (eds.): Condutas em Psiquiatria. 3a. Ed., Lemos Editorial, São Paulo, 1999.

 

GRAEFF, F.G.; GUIMARÃES F.S. Fundamentos da psicofarmacologia. Atheneu. 1999.

 

RANG, H.P.; RITTER, F.M., DALE, M.M.; Farmacologia, 3a. Ed., Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1995.

 

STAHL, S. - Psicofarmacologia - bases neurocientíficas e aplicações clínicas. Medsi, Rio de Janeiro, 1998.

 

 
SEGUNDO SEMESTRE DE 2006

 

DISCIPLINA 5: Psicopatologia e Técnica Psicanalítica I - Freud

 

30 HORAS/AULA

                              

RESPONSÁVEL: Enrique Mandelbaum

Psicanalista, psicólogo pela PUC-SP, doutor em letras pela FFLCH/USP, onde, como Professor Convidado, ministra para graduandos e pós-graduandos no Departamento de Letras Modernas (Espanhol) a disciplina "Borges e Kafka: construção de uma literatura a partir das margens". Foi Orientador Pedagógico (2º grau) e Educacional (1º grau) do Colégio Equipe (1986 a 1991) e Vice-Diretor do Colégio Bialik (1991 a 2001).

 

 

PROGRAMA

 

OBJETIVOS:

Trabalhando essencialmente com o texto freudiano, esta disciplina visa oferecer uma introdução aos conceitos fundamentais da teoria psicanalítica com vistas a permitir uma compreensão da psicanálise como teoria psicopatológica, além de situar os alunos quanto à gênese e constituição da técnica psicanalítica, demonstrando, na obra de Freud, a relação necessária entre experiência clínica, investigação científica e reflexão e produção teóricas.

 

JUSTIFICATIVA:

Considerando a importância da psicanálise na história do pensamento e das ciências em geral, especialmente no campo da psicopatologia, considerando que a dimensão das contribuições psicanalíticas para este campo científico só pode ser alcançada a partir do conhecimento de seu arcabouço teórico-clínico fundamental e, por fim, considerando que a melhor e mais clara introdução ao campo psicanalítico é exatamente a obra de seu fundador, acreditamos que um percurso através dos escritos de Freud é essencial para qualquer estudioso da área, sendo, portanto, indispensável em um curso de formação em psicopatologia.

 

CONTEÚDO:

a) a noção de inconsciente: sua gênese e desenvolvimento em Freud; discussão das noções fundamentais conexas de processo primário e secundário, condensação e deslocamento;

 

b) o aparelho psíquico e seu funcionamento: a 1ª e a 2ª tópicas freudianas; a questão do conflito psíquico como imanente à constituição do psiquismo; os conceitos de defesa e recalque; a pulsão e as teorias pulsionais ao longo da obra freudiana;

 

c) o lugar e a importância da sexualidade na constituição da mente humana: um breve percurso através das questões edípicas;

 

d) Freud psicopatólogo: brevíssimo panorama da semiologia e nosografia freudianas:

  d1) a concepção de neurose de transferência: histeria, neurose obsessiva e fobia (histeria de angústia);

  d2) a melancolia e a depressão: a noção de trabalho psíquico tendo o trabalho do luto como paradigma;

  d3) as psicoses e as perversões em uma perspectiva psicanalítica;

 

e) conceitos fundamentais da técnica psicanalítica; transferência e resistência.

 

Bibliografia (em conformidade aos pontos programáticos da disciplina):

 

Esta matéria terá como bibliografia básica as obras completas de Sigmund Freud, das quais destacaremos, em função dos pontos programáticos, alguns textos essenciais, que serão trabalhados no todo ou em parte e não obrigatoriamente na ordem aqui apresentada:

 

a e b) A Interpretação dos Sonhos (1900)

      Formulações sobre os dois princípios do funcionamento mental (1911)

      O inconsciente (1915)

      Suplemento metapsicológico à teoria dos sonhos (1915)

      Uma nota sobre o bloco mágico (1925)

      O Ego e o Id (1923)

      Além do Princípio do Prazer (1920)

      Pulsões e suas Vicissitudes (1915)

      Sobre o narcisismo: uma introdução (1914)

      Psicologia de grupo e a análise do ego (1921)

      Repressão (1915)

      Inibições, sintoma e angústia (1926)

      Conferências Introdutórias à Psicanálise – nº XXV – A angústia (1917)

      Esboço de Psicanálise (1940)

      A divisão do ego no processo de defesa (1940)

 

c) Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905)

   Sobre as teorias sexuais das crianças (1908)

   Totem e Tabu (1913)

   A organização genital infantil: uma interpolação na teoria da sexualidade (1923)

   A dissolução do complexo de Édipo (1924)

   Algumas conseqüências psíquicas da distinção anatômica entre os sexos (1924)

   Sobre a feminilidade (1931)  

   A feminilidade (1933)

   Conferências Introdutórias à Psicanálise – nº XX – A vida sexual dos seres humanos (1917)

 

d) As neuropsicoses de defesa (1894)

   Obsessões e Fobias (1895)

   Estudos sobre a Histeria (1895)

   Novos Comentários sobre as neuropsicoses de defesa (1896)

   O ‘pequeno Hans’: análise de um fobia em uma menino de cinco anos (1909)

   O ‘homem dos Ratos’: notas sobre um caso de neurose obsessiva (1909)

   O caso Dora: fragmento da análise de um caso de histeria (1905)

   Um caso de paranóia que contraria a teoria psicanalítica da doença (1915)

   O ‘homem dos Lobos’: História de uma neurose infantil (1918)

   Luto e melancolia (1917)

   A disposição à neurose obsessiva. Uma contribuição ao problema da escolha da neurose (1913)

   Caráter e erotismo anal (1908)

   Uma criança é espancada: uma contribuição ao estudo da origem das perversões sexuais      (1919) 

   O problema econômico do masoquismo (1924)

   Neurose e Psicose  ((1924)

   A perda da realidade na neurose e na psicose (1924)

   O Fetichismo (1927)

   Novas Conferências Introdutórias à Psicanálise nº XXXII – Ansiedade e Vida instintual (1933)

   A psicogênese de um caso de homossexualidade numa mulher (1920)

   O ‘caso Schreber’: notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranóia (dementia paranoides) (1911)

 

e) O método psicanalítico de Freud (1904)

   Sobre a psicoterapia (1905)

   A Dinâmica da Transferência (1912)

   Sobre o início do tratamento (1913)

   Recordar, repetir e elaborar (1914)

   Observações sobre o amor transferencial (1915)

   Conferências Introdutórias à Psicanálise nº XXVII – Transferência (1917)

   Conferências Introdutórias à Psicanálise nº XIX – Resistência e Repressão (1917)

   As resistências à Psicanálise (1925)

 

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR:

 

Calderoni, M.L.M.B. ‘As várias formas de resistir à perda, ou de como é difícil o trabalho do luto’, resenha do livro Depressão de Pierre Fédida, Percurso nº 24, São Paulo, 2000;

Calderoni, M.L.M.B. ‘Algumas questões e observações referentes à constituição da sexualidade feminina, um percurso na obra freudiana’, inédito, 1994;

Calderoni, M.L.M.B – ‘Luto e melancolia ou luto ou melancolia?’, inédito, 1995;

Garcia-Roza, L.A – Freud e o inconsciente, Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 1984;

Gay, P – Freud, uma vida para nosso tempo, Companhia das Letras, São Paulo, 1988; Laplanche, J – A Angústia, Martins Fontes, São Paulo, 1987;

Laplanche, J – Vida e Morte em Psicanálise, Artes Médicas, 1985;

Mezan, R. - A trama dos conceitos, Editora Perspectiva, São Paulo, 1987;

Mezan, R - Freud, pensador da cultura, Brasiliense, São Paulo, 1985;

Robert, M – A Revolução Psicanalítica, Editora Perspectiva, São Paulo, 1991.

 


 

DISCIPLINA 6: Introdução à Psicopatologia Pré e Peri-Natal

 

20 HORAS/AULA

 

RESPONSÁVEL: Therezinha Gomes de Souza Dias

Graduada e pós-graduada no Programa de Psicologia Clínica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; psicanalista com formação em psicanálise de crianças, adolescentes e adultos, pelo Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de S. Paulo; membro efetivo e docente da mesma entidade; membro da International Psychoanalytical Association (IPA); fundadora, ex-presidente e atual presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa do Psiquismo Primitivo (IBPP – Santos); autora do livro “Considerações sobre o Psiquismo do Feto”, Editora Escuta, 1999, 2ª edição.

 

 

PROGRAMA

 

 

OBJETIVOS:

            1. O estudo do desenvolvimento primitivo do ser humano, anterior ao nascimento, partindo da premissa de que a fase embrionária fetal é de decisiva importância para a futura condição física e psíquica na vida pós-natal. 

            2. Procurar identificar e esclarecer os componentes etiológicos primários que estão na patogenia da psicose infantil e autismo. 

            3. Relacionar essas descobertas com o que se revela na clínica psicanalítica, no atendimento de pacientes seriamente perturbados que, em momentos de intenso sofrimento psíquico, regridem a funcionamentos próprios do psiquismo fetal.

 

JUSTIFICATIVA:

O nascimento não significa que a vida orgânica esteja iniciando, mas prosseguindo em continuidade com a vida embrionária fetal. Ao nascer, a qualidade do corpo que o bebê desenvolveu durante a essa etapa, sua condição de saúde e vitalidade serão fundamentais para que ele possa assumir a totalidade das suas funções. Quando algo não andou bem durante essas fases, verificam-se conseqüências orgânicas das mais variadas intensidades. Equiparando-se o acima exposto à parte mental, inferimos que ocorre o mesmo, estabelecendo-se aí os alicerces da psicose.

Com os atuais avanços das ciências médicas e tecnológicas, muita luz tem sido lançada sobre os mistérios da vida fetal. Graças a ultrassonografia fetal, agora sabemos muito mais a respeito do seu desenvolvimento. Temos, hoje, a oportunidade de ver o que ocorre no útero sem interferir no desenvolvimento normal do bebê; isso tem posto em evidência a existência de um psiquismo no feto; já existem pesquisas evidenciando a sofisticação da sua percepção, da sua capacidade motora, assim como a crescente complexidade do seu aparato mental.

 

 CONTEÚDO:

- Projeções em vídeo de imagens ultrassonográficas de fetos nas diferentes etapas da gestação.

 

- Estudo sobre a evolução do pensamento humano a respeito da vida intra-uterina.

A)    Estudos pré-científicos

B)    Pensamentos científicos: contribuições da etologia;   contribuições dos psicanalistas - Freud, Rank, Klein, Rascovsky, Aray, Kanner, Bion, Balint, Winnicott, Mahler, Tustin, Meltzer e Piontelli.

C)    Contribuições da ultrassonografia: Apresentação de casos.

 

- Etiologia e patogenia das psicoses infantis e autismo, através de abordagem multidisciplinar.

 

Toda a programação será desenvolvida com a participação dos alunos em discussão de casos, procurando estabelecer a relação entre a teoria e a clínica, assim como abertura para a busca de medidas preventivas de saúde mental e para questionamentos sobre a eficiência das técnicas psicoterápicas.

 

 

BIBLIOGRAFIA (em conformidade aos pontos programáticos da disciplina):

 

BALINT M: A Falha Básica: aspectos terapêuticos da regressão. Porto Alegre, Artes Médicas, 1993.

 

FREUD S: A interpretação dos Sonhos. Edição Standard Brasileira. Vol. 4/5, Rio de Janeiro, Imago, 1972.

 

FREUD S: Psicopatologia da Vida Cotidiana. Edição Standard Brasileira, vol 6, Rio de Janeiro, Imago, 1972.

 

FREUD S.: Psicoanálisis: cinco conferências pronunciadas en la Clark University, USA. Obras Completas, vol. 2. Madrid, Biblioteca Nueva, 1981.

 

FREUD S.: Totem e Tabu. Ed. Standard Brasileira, vol .13, Rio de Janeiro, Imago, 1974.

 

FREUD S.: Lo Siniestro. Obras completas, vol. 3. Madrid, Biblioteca Nueva, 1981.

 

FREUD S.: O ego e o id. Ed. Standard Brasileira, vol. 19. Rio de Janeiro, Imago, 1976.

 

FREUD S.: O Futuro de uma Ilusão. O Mal-estar na Civilização e Outros Trabalhos. Ed. Standard Brasileira, vol. 21. Rio de Janeiro, Imago, 1974.

 

FREUD S.: Novas Conferências Introdutórias sobre Psicanálise. Ed. Standard Brasileiras, vol. 22. Rio de Janeiro, Imago, 1973.

 

FREUD S.: Além do Princípio do Prazer. Ed. Standard Brasileira, vol. 18. Rio de Janeiro, Imago, 1920, pp. 50 e 55.

 

FREUD S.: Inibição, Sintoma e Angústia. Ed. Standard Brasileira, vol. 14. Rio de Janeiro, Imago, 1926, pp. 94-5.

 

FREUD S.: El Yo y el Ello. Obras completas, vol. IX. B. Aires, Santiago Rueda, 1953, pp. 203-4.

 

FREUD S.: Metapsicologia. Lo Inconsciente. Obras completas, vol. IX. B. Aires, Santiago Rueda, 1953, p. 156.

 

KLEIN M, HEIMANN P, ISAACS S & RIVIERE J: Os Progressos da Psicanálise. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1952.

 

MAZET P & STOLERU S: Manual de Psicopatologia do recém-nascido. Porto Alegre, Artes Médicas, 1990.

 

MAZET P & LEBOVICI S: Autismo e Psicoses da Criança. Porto Alegre, Artes Médicas, 1991.

 

PIONTELOLLI A: De Feto a Criança. Um estudo observacional e psicanalítico. Rio de Janeiro, Imago, 1995.

 

RASCOVSKY A, RASCOVSKY M, ARAY J, KALINA E, KIZER M & SZPILKA J: Niveles Profundos del Psiquismo. Buenos Aires, Editorial Sudamericana, 1971.

 

SOUZA DIAS T.G.: Considerações sobre o Psiquismo do Feto. 2ª ed., São Paulo, Escuta, 1999.

 

TUSTIN F: Autismo e Psicose Infantil. Rio de Janeiro, Imago, 1975 .

 

TUSTIN F: Estados Autísticos em Crianças. Rio de Janeiro, Imago, 1984.

 

 

DISCIPLINA 7:  O Sono na Psicopatologia da Vida Contemporânea

 

20 HORAS/AULA

 

RESPONSÁVEL: Nayra Cesaro Penha Ganhito

Médica pela FMUSP, residência em Psiquiatria e Medicina Social pelo HC-FMUSP; psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, onde é professora do curso “Psicopatologia psicanalítica na clínica contemporânea”; autora do livro “Distúrbios do sono” (Casa do Psicólogo, 2001) da coleção Clínica Psicanalítica.

 

PROGRAMA

 

OBJETIVOS:

1.      Interrogar o contexto sócio-cultural contemporâneo em suas articulações com as perturbações do sono;

2.      Examinar as premissas que fundamentam as figuras clínicas de transtornos do sono (psiquiatria) e distúrbios do sono (psicossomática);

3.      Introduzir a contribuição especificamente psicanalítica no diálogo com a psiquiatria e com a psicossomática visando à construção de uma psicopatologia do sono.

4.      Oferecer elementos teóricos para uma abordagem clínica dos principais distúrbios do sono na infância e adolescência.

 

 

JUSTIFICATIVA:

Tematizado ao longo das épocas por vários saberes e discursos, o sono adquire hoje o estatuto de problemática contemporânea, testemunhada seja pela experiência mais cotidiana, seja pelo destaque que passa a ostentar na mídia, na clínica e em vários campos de teorização. Neste contexto, pode-se afirmar que as perturbações do sono expressam as vicissitudes do sujeito na cultura frente às possibilidades de proporcionar-se descanso e repouso. O título da disciplina alude à proposição freudiana de uma “psicopatologia da vida cotidiana”, re-situando as perturbações do sono enquanto mal estar da vida contemporânea a partir da introdução da perspectiva psicanalítica, que toma como objeto o sono em sua dimensão de experiência subjetiva de um sujeito imerso e inseparável de seu ambiente. Os principais distúrbios do sono em bebês, na criança e no adolescente são, portanto, pensados a partir  da qualidade das relações com o primeiro entorno humano e de sua importância na constituição de sua capacidade de dormir sozinho e, posteriormente,  de sonhar.

 

CONTEÚDO:                          

O conteúdo da disciplina tem como critério:

-          oferecer elementos para o exame crítico do modo pelo qual o sono vem sendo problematizado pela mídia e pelas produções da psiquiatria e da psicossomática;

-          propiciar o diálogo com esses saberes e outros discursos - como as mitologias e a literatura;

-          introduzir a contribuição especificamente psicanalítica para uma psicopatologia do sono.

-          oferecer elementos para a abordagem clínica dos distúrbios do sono em bebês, crianças e adolescentes a partir de uma concepção da constituição do sujeito psíquico que valoriza o papel fundante do outro semelhante, conforme a  fórmula da psicossomática psicanalítica: “a mãe é a primeira guardiã do sono”.

 

PONTOS PROGRAMÁTICOS

 

  1. As perturbações do sono e o mal estar da época.

      Erótica do sono e relações sono-sonho-vida contemporânea

  1. O sono na psiquiatria e na psicossomática.

C.  O sonho como guardião do sono e o desejo de dormir

D.  Sono,  narcisismo primário e autoerotismo.

E.   A mãe como primeira guardiã do sono. O sono como tela para o sonho

F.   Sono e morte

G.  O fracasso do sonhar

H.  O processo de adormecimento e suas vicissitudes. As práticas de adormecimento.

I.    Distúrbios no sono na infância e na adolescência.

 

 

Bibliografia (em conformidade aos pontos programáticos da disciplina)

 

  1. matérias de revistas e jornais;

     Ganhito, N.C.P., Introdução,  In: Distúrbios do sono. São Paulo, Casa do Psicólogo, 2001.

 Pereira, M.E.C. A insônia, o sono ruim e o dormir em paz: a ‘erótica do sono’ em tempos de Lexotan. Palestra no IV Fórum de Psicanálise, Poder e Transgressão, Porto Alegre, 2001.

     Ganhito, N.C.P. “Sono, sonho, vida contemporânea”. In: Volich, R. M., Ferraz, F.C. & Ranña, W., Psicossoma III: psicossomática psicanalítica. São Paulo, Casa do Psicólogo, 2003.

 

 B. Kaplan, H.I.. & Saddock, B.G. “Transtornos do sono”. In: Tratado de psiquiatria, v.2;. Porto Alegre, Artmed, 1999.

Gurfinkel, D. Regressão e psicossomática: nas bordas do sonhar. In: Volich, R.M.&

Ferraz, F.C.Psicossoma II: psicossomática psicanalítica. São Paulo, Casa do

Psicólogo, 1998.

      Ganhito, N.C.P.  caps. 3 e 7: “Considerações gerais sobre o sono” e “O sono na  

psiquiatria”. In: Distúrbios do sono, Op. Cit.

 

B.     Freud, S.. (1900) A interpretação dos sonhos. In: Edição Standard Brasileira das

Obras Psicológicas Completas. Rio de Janeiro, Imago, 1976, v. IV     

       Ganhito, N. C. P., Distúrbios do sono, Op. Cit., cap.1: Freud e o sujeito sonhador, ps. 19-30

 

D. Ganhito, N. “Freud e o sujeito sonhador” . In: Distúrbios do sono, Op. Cit.

     Pereira, M.E. C., “Sono e narcisismo primário”, parte 5 do artigo A insônia, o sono ruim e o dormir em paz: ‘a erótica do sono’ em tempos de Lexotan”, Op. Cit.

 

 E.  Ganhito, N.C.P., “Dormir nos braços da mãe: a primeira guardiã do sono”, revista Psychê n. 10, 2002.

 Zygouris, R. “O espreitador do amanhecer” e “Idéias Lunáticas”. In: Ah! As belas lições. São Paulo,  Escuta, 1995.

 

      F: Mcdougall, J. (1989) “Sobre o sono e a morte”. In: Teatros do corpo. São Paulo,    

      Martins Fontes, 1991;

           Ganhito, N.C.P., Distúrbios do sono, Op.Cit., cap.2 : Quando ‘ela ‘ era o sono e o

      alimento, ps.51-57.

 

  1. Freud, S. (1932). Complemento à teoria dos sonhos (Novas Conferências Introdutórias sobre Psicanálise).Op. Cit., v. XXII.

       Ganhito, N.C.P., “O sono sem sonhos: o fracasso da função onírica”. In: Distúrbios do sono, Op. Cit.

 

  1. Freud, S. (1917) Suplemento Metapsicológico à teoria dos sonhos,  Op. Cit, v. XIV.

Jorge,  A .L.C., O acalanto e o horror, ps.71-92. São Paulo, Escuta, 1988.

            Ganhito, N.C.P. Distúrbios do sono, Op. Cit. cap 2 : Quando ‘ela’ era o sono e o

      alimento’, ps.58-79 e 85-89        

 

I. Débray, R. “O sono ou pode-se viver sem dormir?” In: Bebês/mães em revolta. Porto Alegre, Artes Médicas, 1988.

    Ganhito, N. C. P., Op. Cit., cap. 4: “Meu filho não dorme”

 

 
DISCIPLINA 8: O DSM IV e o CID 10 frente ao Ser em Desenvolvimento

 

30 HORAS/AULA

 

RESPONSÁVEL: Homero Pinto Vallada Filho

Psiquiatra, PhD pela Universidade de Londres, Livre-Docente pela Universidade de São Paulo, Professor Associado do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

 

 

PROGRAMA

 

OBJETIVOS

Capacitar os alunos à avaliação crítica das duas principais classificações de doenças mentais da atualidade, a Classificação Internacional de Doenças 10a. Edição (CID 10) e o Manual Diagnóstico e Estatístico - 4a. Edição (DSM IV).

 

 JUSTIFICATIVA

Partindo da “revolução” das classificações nosográficas desencadeada pelo DSM III em 1980, começamos a entender os fundamentos e as bases do diagnóstico psiquiátrico atual assim como se encontram expressas na Classificação Internacional de Doenças 10a. Edição (CID 10) e no Manual Diagnóstico e Estatístico - 4a. Edição (DSM IV). Serão examinadas mudanças no campo da psiquiatria que estiveram ligadas igualmente as reconceptualizações ocorridas na nosologia e na psicopatologia, como exemplificam os trabalhos de Pinel, Kraeppelin, Bleuler, Janet e Freud. Desse modo, estaremos capacitando os alunos a proceder a um exame crítico das virtudes e defeitos das principais classificações psiquiátricas vigentes. 

 

CONTEÚDO

O programa da disciplina se desenvolve em torno do problema da diagnose psiquiátrica e psicológica, tomando como referenciais teóricos a psicanálise e as neurociências. A dicotomia básica será entre uma cientificidade que leva em conta a subjetividade e uma outra que se ocupa de resultados universalizáveis. Iniciamos por uma introdução histórica, seguida por uma discussão sobre as divergências entre os pontos de vista da nosologia e da psicopatologia, os fundamentos do diagnóstico multidimensional e, finalmente, passamos a examinar as principais categorias diagnósticas contidas nos manuais diagnósticos do CID 10 e DSM IV. 

 

Bibliografia (em conformidade aos pontos programáticos da disciplina):

 

1. Introdução histórica ao problema da diagnose

 

1.1 Pichot, P. - Um século de história da psiquiatria. Paris, Roger Dacosta, 1983, pg. 18-32.

1.2 Porter, R. - Uma história social da loucura. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2a.ed, 1991, pg.15-37.

 

2. Nosologia versus Psicopatologia

 

2.1 Berlinck, M. T. - Além da neurose: a psicopatologia em cem anos da psicanálise. In: Psicopatologia Fundamental, São Paulo, Escuta, 2000, pg. 323-40.

2.2 Pereira, M. E. C. - A paixão nos tempos do DSM: sobre o recorte operacional do campo da psicopatologia. In: Ciência, Pesquisa, Representação e Realidade em Psicanálise. São Paulo, Educ/Casa do Psicólogo, 2000, pg.119-52.

 

3. Fundamentos do diagnóstico multidimensional

 

3.1 Leme Lopes, J. - As dimensões do diagnóstico e o diagnóstico pluridimensional dinâmico. In: As dimensões do diagnóstico psiquiátrico. Rio de Janeiro, Agir, 1954, pg.111-33.

3.2 Feigl, H. - The “Orthodox” View of Theories: Remarks in Defense as well as Critique. In: Minnesota Studies in the Philosophy of Science, vol. 4, Minneapolis, University of Minnesota Press, 1970, pg. 3-15.

 

4. Estudo das principais entidades nosológicas dos manuais de psicopatologia

 

4.1 Associação Psiquiátrica Americana – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. (DSM IV) Porto Alegre, Artes Médicas, 4a. ed., 1994.

4.2 Organização Mundial da Saúde – Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID 10. Porto Alegre, Artes Médicas, 1993.

4.3 Dalgalarrondo, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Artes Médicas, 2000.

 


 

DISCIPLINA 9: A Psicopatologia Fundamental diante dos Transtornos Alimentares

 

24 HORAS/AULA

 

RESPONSÁVEL: Ana Cecília Magtaz Scazufca

Psicóloga, psicanalista, doutoranda do Programa de Estudos Pós-Graduados em
Psicologia Clínica da PUC/SP, pesquisadora do Laboratório de Psicopatologia
Fundamental do Núcleo de Psicanálise do Programa de Estudos Pós-Graduados em
Psicologia Clínica da PUC/SP.

 

PROGRAMA

 

Objetivos:

Esta disciplina pretende abordar, do ponto de vista psicanalítico, os transtornos da alimentação da primeira infância, a anorexia e a bulimia como distúrbios da oralidade e refletir sobre o tratamento dessas manifestações psicopatológicas.

 

Justificativa:

Os transtornos alimentares têm aumentado muito na últimas décadas, principalmente, entre crianças e adolescentes. A problemática alimentar/oral apresenta-se, na maioria dos casos, como uma relação aditiva, vinculada a conformações familiares específicas, comprometendo o desenvolvimento do sujeito e solicitando uma abordagem multiprofissional para o seu tratamento.

 

Conteúdo:

Inicialmente, a anorexia e a bulimia serão estudadas como transtornos alimentares, principalmente, sob o ponto de vista psiquiátrico do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais na sua quarta edição, o DSM IV e da Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento do CID-10, da Organização Mundial da Saúde. Em seguida, se verá como o critério diagnóstico que indica haver “uma distorção da imagem corporal” nesses pacientes pode ser aprofundado e ampliado. Não se tratará da compreensão da imagem distorcida como uma visão distorcida da realidade, e sim, da imagem metafórica que relaciona o sujeito ao outro.

Valendo-se de questões suscitadas a partir de exemplos clínicos e da leitura de autores que tratam do tema, propõe situar o problema psicopatológico da anorexia e da bulimia relacionando-as às adições e à concepção freudiana da melancolia e do ideal do ego. A noção de oralidade torna-se pertinente para a compreensão dessas manifestações psicopatológicas e reflete sobre o enquadre, a técnica e a transferência.

Pontos Programáticos:

  1. Os transtornos da alimentação da primeira infância
  2. Anorexia e bulimia como transtornos alimentares:

-          A abordagem psiquiátrica

-          A abordagem psicodinâmica

-          A imagem corporal

  1. Clínica: apresentação de fragmentos clínicos e discussão em grupo
  2. Anorexia e bulimia como distúrbios da oralidade:

-          Anorexia e bulimia como adições

-          Anorexia, bulimia e sua relação com a melancolia

-          O Ideal anoréxico X culpa bulímica: diferenças entre anorexia e bulimia

 

  1. O tratamento dos distúrbios da oralidade:

-          O tratamento multiprofissional – o tratamento compartilhado.

-          A importância da clínica da anorexia e da bulimia para a clínica em geral

-          A maleabilidade do enquadre psicoterapêutico.

 

   Bibliografia (em conformidade aos pontos programáticos da disciplina):

 

1.      1. Os transtornos da alimentação da primeira infância:
1.1. Kreisler, L., Fain, M., Soulé, M. A criança e seu corpo. Psicossomática
da primeira infância. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1981.

 

2.      2. Anorexia e bulimia como transtornos alimentares:
2.1. Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM IV),
Porto Alegre, Artes Médicas, 1991.
2.2. CID-10
2.2. Bruch, Hilde. Eating Disorders - Obesity, Anorexia Nervosa and Person
Within, Basic Books, harper Torchbooks, 1973.
2.2. Lasègue, Charles. "Da Anorexia Histérica", in: Revista Latinoamericana
de Psicopatologia Fundamental, Ano I, vol. I, no.3, Setembro de 1998,
p.158-171.

                                                                                                                                      

3.      A imagem corporal:

3.1.   Dolto, Françoise. A imagem Inconsciente do corpo, São Paulo, Ed. Perspectiva, 1984.

3.2.    Freud, S. “Sobre o Narcisismo uma introdução”, in: Edição Standard das Obras Completas de Sigmund Freud, vol.XVI, Rio de Janeiro, Imago, p.85-119.

3.3.   Bastos, Liana Albernaz de Melo. Eu-corpando: o ego e o corpo em Freud, São Paulo, Escuta, 1998.

3.4.   Green, André. Narcisismo de Vida, Narcisismo de Morte, São Paulo, Escuta, 1988.

3.5.   Aulagnier, Piera. “Nascimento de um corpo, origem de uma história”, in: Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Ano II, vol.II no.3, Setembro de 1999.

 

4.      Anorexia e bulimia como distúrbios da oralidade:

4.1.   Scazufca, Ana Cecília Magtaz. “Abordagem Psicanalítica da Anorexia e da Bulimia como Distúrbios da Oralidade”, Dissertação de Mestrado apresentada à Banca Examinadora em 29/10/1998 na PUC/SP, sob a orientação do Prof. Dr. Manoel Tosta Berlinck.

4.2.   Urribarri, Rodolfo(org). Anorexia e Bulimia, São Paulo, Escuta, 1999.

4.3.   Bidaud, Eric. Anorexia Mental, ascese, mística: uma abordagem psicanalítica, Rio de Janeiro, Companhia de Freud, 1998.

4.4.   Freud, S. “Luto e Melancolia”, in: Edição Standard das Obras Completas de Sigmund Freud, vol. XIV, Rio de Janeiro, Imago, p. 275-291.

4.5.   Freud, S. “O Ego e o Id”, in: (E.S.B.), vol. XIX, Rio de Janeiro, Imago, p. 25-89.

 

5.      O tratamento dos distúrbios da oralidade:

5.1.   Victoi, Anna. “Cybelle: o tratamento de uma adolescente anoréxica”. In: Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Ano IV, vol. IV, no.3, Setembro de 2001, p.89-115.

5.2.   Enriquez, Micheline. Nas Encruzilhadas do Ódio: paranóia, masoquismo e apatia. São Paulo, Escuta, 1999:

-          Cap. 3: “Harmonia e desarmonia no tratamento”, p.197-202.

Cap. 4: “Desinvestimento e ódio de transferência”, p.203-219.

 

 

DISCIPLINA 10: Entrevistas e Apresentações Clínicas do Paciente Internado

(Estágio no Ambulatório de Ansiedade da FMUSP)

 

30 HORAS/AULA

 

RESPONSÁVEL: Francisco Lotufo Neto

Professor Associado do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Coordenador do Ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Responsável pelo Serviço de Residência Médica do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

 

Assistentes:

 

David Calderoni

Psicólogo, Mestre e Doutor pelo Instituto de Psicologia da USP. Membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae. Autor de “O Caso Hermes: a dimensão política de uma intervenção psicológica em creche – um estudo em psicologia institucional” (Casa do Psicólogo/Fapesp, 2004). Organizador e co-autor de “Psicopatologia: vertentes, diálogos – psicofarmacologia, psiquiatria, psicanálise” (Via Lettera, 2002).

 

Nayra Ganhito

Médica pela FMUSP, residência em Psiquiatria e Medicina Social pelo HC-FMUSP; psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, onde é professora do curso “Psicopatologia psicanalítica na clínica contemporânea”; autora do livro “Distúrbios do sono” (Casa do Psicólogo, 2001) da coleção Clínica Psicanalítica.

 

 

PROGRAMA

 

OBJETIVO:

Oferecer aos alunos estágio no Ambulatório de Ansiedade (AMBAN) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, centro médico acadêmico voltado a atividades de assistência, ensino e pesquisa multidisciplinar sobre diferentes aspectos do tratamento dos transtornos ansiosos, quais sejam:

-          ATAQUE DE PÂNICO

-          TRANSTORNO DE PÂNICO

-          AGORAFOBIA

-          FOBIAS ESPECÍFICAS

-          FOBIA SOCIAL

-          TRANSTORNO OBSSESSIVO COMPULSIVO (TOC)

-          TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO

-          TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA

-          TRANSTORNO DE ANSIEDADE INDUZIDA POR SUBSTÂNCIAS

 

JUSTIFICATIVA:

Com referência ao valor formativo do estágio no Ambulatório de Ansiedade (AMBAN) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, sabe-se que os transtornos ansiosos são distúrbios mentais que prevalecem na população em geral.

O estudo da ansiedade foi uma das áreas da Psiquiatria em que ocorreram progressos significativos com o desenvolvimento de tratamentos de grande eficácia.
Uma das maiores preocupações dos participantes do AMBAN tem sido multiplicar o conhecimento de técnicas através de treinamentos de profissionais e trabalhos de pesquisa para alcançar novos conhecimentos em área tão complexa, desenvolvendo um intenso intercâmbio científico nacional e internacional. 

No contexto do Curso de Psicopatologia, voltado a estabelecer um campo de diálogo entre a psiquiatria e a psicanálise, as atividades no AMBAN permitem introduzir, quanto ao grupo de distúrbios considerados como transtornos ansiosos, a perspectiva de pesquisa e terapêutica psiquiátrica atual correspondente às figuras clínicas que a psicanálise inclui no campo das neuroses.

 

CONTEÚDO:

Tendo por objeto as manifestações, a evolução e o tratamento dos transtornos ansiosos na perspectiva psiquiátrica atual, o programa do estágio oferece ao aluno possibilidade de participar das seguintes atividades:

1. discussão de casos clínicos e seminários para residentes;

2. acompanhamento de consultas junto ao ambulatório de pesquisa;

3. conferências clínicas.

 

 

PRIMEIRO SEMESTRE DE 2007

 

DISCIPLINA 11: Políticas de Saúde Mental: Uma Abordagem Histórico-Crítica

 

30 HORAS/AULA

 

RESPONSÁVEL: Maria Ângela Santa Cruz

Psicóloga graduada pela PUC-SP; Psicanalista; Analista Institucional; Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP; Professora e co-coordenadora do Curso de Aperfeiçoamento “A Adolescência na Contemporaneidade” do Instituto Sedes Sapientiae; Coordenadora de Equipe Clínica e Terapeuta contratada na Clínica Psicológica do Instituto Sedes Sapientiae; Membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae.

 

PROGRAMA

 

OBJETIVOS:

1)            desnaturalizar os conceitos de Doença Mental e Saúde Mental, abordando-os como instituições criadas historicamente e apresentando seu surgimento na França (Pinel) e no Brasil;

2)            apresentar e problematizar as diferentes Políticas de Saúde Mental no Brasil e no mundo.

CONTEÚDO:

O programa da disciplina terá como ponto de partida o estudo de autores de diversos campos do conhecimento – filosofia, psiquiatria, psicanálise - cuja produção evidenciou a transformação histórica da loucura em doença mental , condição de possibilidade para a construção de uma rede de saberes-poderes sobre a mesma. A partir daí, estudaremos as formas pelas quais a loucura passa a ser objeto das políticas institucionais: da ordem pública à saúde pública passando pela reforma psiquiátrica, a problemática da cronicidade como determinante dessas políticas e os atuais paradigmas que orientam sua formulação. Serão abordadas em separado as políticas de saúde mental para a infância e para as dependências químicas.

O curso se encerrará com um exercício prático de formulação de política de saúde mental realizado pelos alunos, com orientação dos professores, a partir de um problema concreto contemporâneo.

 

Bloco I- A constituição histórica da Doença Mental e o nascimento do alienismo.

A análise de Foucault

Philippe Pinel : um novo enfoque sobre a loucura

Bloco II- Loucura: da transição da Ordem Pública à Saúde Pública

Constituição do campo da saúde mental no Brasil

Políticas de saúde mental para infância e adolescência no Brasil

Políticas de saúde para as dependências químicas

O problema da cronicidade e as políticas de saúde mental

A Reforma Psiquiátrica

Contribuição da epidemiologia e do conceito de sobrecarga (“burden”) no debate contemporâneo da Saúde Mental

 

Bibliografia: 

Bloco I:

Birman, Joel – “Freud e a crítica da razão delirante”, in Freud, 50 anos depois - org. Joel Birman, Relume- Dumará, RJ, 1989. 

Foucault, Michel – História da Loucura - Editora Perspectiva, São Paulo, 1978.

           ---------------------  Microfísica do Poder - Edições Graal, RJ, 1979.

Gauchet, Marcel & Swain, Gladys. La Pratique de l’Esprit Humain. Gallimard, 1980.

Pelbart, Peter Pál – Da Clausura do fora ao fora da clausura – Loucura e desrazão. Editora Brasiliense, São Paulo, 1989. 

Pinel. Phillipe. Traité Médico-Philosophique sur l’Alienation Mentale. Arno Press, NY, 1974.

Swain, Gladys. Le Sujet de la Folie. Calmann-lévy, Paris, 1997.

Swain, Gladys. Dialogues avec l’Insensé. Gallimard, Paris, 1994.

   Bloco II-  

Amarante, Paulo (org.) – Ensaios: Subjetividade, Saúde Mental, Sociedade. Editora Fiocruz, RJ, 2000.

Amarante, Paulo (org.) – Psiquiatria Social e Reforma Psiquiátrica – Ed. Fiocruz, RJ, 1994.

Assis, Machado de. O Alienista. Círculo do Livro, SP.

Costa, Jurandir Freire – História da Psiquiatria no Brasil: um corte ideológico. Xenon Editora, RJ, 1989.

Cunha, Maria Clementina. O Espelho do Mundo: Juquery, a História de um Asilo. Paz e Terra, SP, 1986.

Cunha, Maria Clementina. Cidadelas da Ordem. Brasiliense, SP, 1990.

Kinoshita, Roberto Tykanori. Cronicidade e os Movimentos de Reforma in O Outro da Reforma: contribuições da teoria da autopoiese para a problemática da cronicidade no contexto das reformas psiquiátricas. UNICAMP, Campinas, 2000.

Machado, Roberto e cols. Danação da Norma. Graal, RJ, 1978. 

Organização Mundial da Saúde. Relatório sobre a Saúde no Mundo- Saúde Mental: Nova Concepção, Nova Esperança. WHO, Genebra, 2001.

 


 

DISCIPLINA 12: Psicopatologia e Técnica Psicanalítica II - Pós-Freudianos

 

30 HORAS/AULA

 

RESPONSÁVEL: Tales Afonso Muxfeldt Ab'Sáber

Psicanalista, Membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae. Graduado e Mestre em Artes pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, Psicólogo e Doutor em Psicologia Clínica/Psicanálise pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Professor da disciplina Introdução ao pensamento de D. W. Winnicott no curso “Saúde Mental: Teoria Psicanalítica” do Laboratório de Saúde Mental Coletiva do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.  Autor de A Imagem Fria – Cinema e Crise do Sujeito no Brasil dos Anos 80.  São Paulo: Ateliê Editorial, 2003 e O Sonhar Restaurado, Origens e Limites de Sonhos em Bion, Winnicott e Freud, Editora 34, 2005.

 

                                                    PROGRAMA

 

OBJETIVOS:

Reconhecer o desdobramento teórico e clínico da psicanálise dita "clássica" - de fundamentação e horizontes conceituais derivados da metapsicologia freudiana - em um de seus principais vetores históricos, que vai de Melanie Klein a Wilfred Bion e Donald Winnicott. Esta é uma das principais linhagens de pesquisa psicanalítica do psiquismo infantil, do psiquismo do bebê e das produções de desenvolvimento ou psicopatológicas que podem advir da relação mãe-bebê.  

 

JUSTIFICATIVA:

A psicanálise é uma disciplina viva, cujo objeto - a alma humana estruturada desde o inconsciente sexual infantil - está permanentemente a ser re-descrito, de acordo com novos parâmetros epistemológicos e novos problemas da clínica e da ordem cultural. Neste processo de trabalho incessante do conceito e da experiência, repousa o método psicanalítico, que lança e recolhe tal movimento. Conhecer um desdobramento clínico histórico da disciplina não apenas avança o conhecimento numa direção linear, mas também o desenvolve em profundidade epistemológica, tornando mais clara a sua natureza.

 

 

CONTEÚDO:

O programa da disciplina desenvolve-se através de um estudo dos momentos decisivos da psicanálise de matriz freudiana que levaram ao desdobrar do pensamento particular de Winnicott e Bion, bem como de uma fundamentação de alguns dos problemas principais deste novo quadro clínico-teórico que se abre para a clínica psicanalítica contemporânea.

 

O programa da disciplina tem como pauta os seguintes pontos programáticos:

A.    Freud: Os Dois Princípios do Funcionamento Mental

B.     Freud: Além do Princípio do Prazer

C.     Freud: O Jogo do Bebê: o Fort-dá

D.    Melanie Klein: Ansiedades Originárias e Clínica de Crianças

E.     Bion: Ataque às Ligações, Relendo Freud e Klein

F.      Bion: Problemas de Notação e Abstração, Rumo à Clínica da Psicose

G.    Bion: Função alfa, Elementos beta e O

H.    Winnicott: Origens Freudianas: o bebê pulsional

I.       Winnicott: Origens Kleinianas: o bebê e as fantasias originais

J.       Winnicott: Objetos e Fenômenos Transicionais

K.    Winnicott: Psicose e Cuidados Maternos

L.     Winnicott: Clínica do Self

 

 

BIBLIOGRAFIA (em conformidade aos pontos programáticos da disciplina):

 

Bion, W - Estudos Psicanalíticos Revisitados, Imago, Rio de Janeiro, 1994.

 

               O Aprender com a Experiência, Imago, Rio de Janeiro, 1991.

 

Freud, S. - "Formulações sobre os Dois Princípios do Funcionamento Mental" (1911), em Edição Standard Brasileira das Obras Completas, Vol. XII , Imago, Rio de Janeiro, 1990.

 

                        Além do Princípio do Prazer (1920), Standard Brasileira, Vol XVIII , Imago Rio de Janeiro, 1990.

 

Klein, M. - "Notas Sobre Alguns Mecanismos Esquizóides", Obras completas II, Imago, Rio de Janeiro, 1996.

 

 Winnicott - Da Pediatria à Psicanálise, Francisco Alves, Rio de Janeiro, 1988

 

                     O Brincar e a Realidade¸ Imago, Rio de Janeiro, 1975

 

                    O Ambiente e os Processos de Maturação, Artes Médicas, Porto Alegre,  1990.

 

 

DISCIPLINA 13: Psicopatologias da Transformação

 

30 HORAS/AULA

 

RESPONSÁVEL: Guilherme Peres Messas

Médico graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Residência Médica em Psiquiatria Geral no Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Mestre e Doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Especialista em Dependências Químicas pela Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo; Formado em Psicoterapia Psicodramática pela Sociedade Paulistana de Psicodrama. Realizou, sob os auspícios do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a pesquisa “Análise da Legislação em Saúde Mental na República Brasileira”.

 

 

PROGRAMA

 

OBJETIVOS:

A psicopatologia encontra-se numa condição ímpar dentro do espectro das ciências. Devido ao seu estatuto singular, filiada simultaneamente às ciências naturais e às ciências humanas, sua história revela menos um avanço linear conduzido pela natural evolução científica do que movimentos heterogêneos, marcados pelas opções epistemológicas adotadas pelas diversas correntes que a compõem. É, portanto, antes de tudo, uma história das hegemonias epistemológicas da cultura ocidental. Neste sentido, nosso curso propõe-se a examinar, do ponto de vista epistemológico, as regras que nortearam a construção das categorias psicopatológicas desde a sua constituição primeira como ciência, no final do século XIX, com a obra de Kraepelin. Dividindo as psicopatologias em dois eixos, um eixo da estabilidade e um eixo da transformação, percorreremos a literatura psicopatológica destacando como cada eixo orientou seus conceitos de modo a servir seus propósitos epistemológicos.

 

 

JUSTIFICATIVA:

A noção de uma ciência única, validada por critérios universais e claramente estabelecidos vem se constituindo numa marca da ciência contemporânea. A incorporação crédula desta afirmação, despida de qualquer olhar crítico, pode transformar a ciência em instrumento ideológico a serviço de interesses não manifestos. Nosso curso justifica-se como abertura reflexiva contraposta a um olhar monolítico de ciência, fornecendo aparelhagem crítica para que o estudante possa constituir concepções próprias a respeito dos jogos de influências subjacentes ao fazer científico.

 

 

CONTEÚDO:

O programa da disciplina se desenvolve através da constituição de dois eixos psicopatológicos: eixo da estabilidade e eixo da transformação. Situaremos as diversas psicopatologias examinadas a partir desta dupla arregimentação, postulando que a procura pela estabilidade ou o anseio pelo conhecimento das transformações tenham sido os fios condutores de cada um dos dois grupos psicopatológicos.

Para isto, serão examinados textos que melhor representem cada um destes eixos, respeitando um desenvolvimento temporal e centrando-se nos seguintes autores:

 

A. EIXO DA ESTABILIDADE

Emil Kraepelin

Eugen Bleuler

Critérios Diagnósticos do DSM-IV

 

B. EIXO DA TRANSFORMAÇÃO

Karl Jaspers

Eugene Minkowsky

 

 

Bibliografia (em conformidade aos pontos programáticos da disciplina):

A.    EIXO DA ESTABILIDADE

Kraepelin, E. Psiquiatria Geral,

Bleuler E. Tratado de Psiquiatria

Associação Psiquiátrica Norte-Americana. Critérios Diagnósticos do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais. 4a edição. Artes Médicas, Porto Alegre, 1995

 

 B  EIXO DA TRANSFORMAÇÃO

Jaspers, K. Psicopatologia General. Fondo de Cultura Econômica. México. 2ª edição, 1996

Minkowski, E. Traité de Psychopathologie, PUF, 1966. Genética em Psiquiatria.

 

 

Disciplina 14: Genética em Psiquiatria

30 horas/aula

 

Responsável: Homero Pinto Vallada Filho

Psiquiatra, PhD pela Universidade de Londres, Livre-Docente pela Universidade de São Paulo, Professor Associado do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

 

PROGRAMA

 

OBJETIVO:

Apresentar os principais conceitos da genética e debater sobre a sua influência nas ciências da saúde e em particular na psiquiatria

 

JUSTIFICATIVA:

Um grande número de estudos genéticos tem demonstrado a importância do componente genético para o desenvolvimento de vários transtornos psiquiátricos.

 

CONTEÚDO:

Serão discutidos os seguintes tópicos durante as aulas:

 

  1. projeto genoma
  2. genética epidemiológica
  3. genética molecular
  4. estudos de ligação e estudos de associação alélica
  5. genética e comportamento
  6. esquizofrenia
  7. transtornos do humor
  8. abuso de álcool e outras drogas
  9. farmacogenética
  10. considerações éticas

 

 

BIBLIOGRAFIA (em conformidade aos pontos programáticos da disciplina):

 

McGuffin et al. Psychiatric, Genetics & Genomics. Oxford University Press, 2002.

 

 

SEGUNDO SEMESTRE DE 2007

 

DISCIPLINA 15: Propostas Atuais para o Tratamento das Psicoses 

 

15 HORAS/AULA

 

RESPONSÁVEL: Maurício Porto

Psicanalista, acompanhante terapêutico, participante da coordenação dos Módulos de Introdução ao Acompanhamento Terapêutico e do Estágio Assistido em Acompanhamento Terapêutico, participante da ATUA – Rede de Acompanhamento Terapêutico, autor de artigos em revistas especializadas.

 

 

PROGRAMA

 

 OBJETIVOS:

Expor diversas modalidades de tratamento que têm sido propostas por diferentes instituições nos últimos 12 anos, dentro do campo da saúde mental em São Paulo, no atendimento a adultos, crianças e adolescentes. Precedendo as exposições das diversas práticas, será discutido em um primeiro momento o modo pelo qual se constituiu, desde os anos 1950, uma tradição comum a todos esses tratamentos.

  

Justificativa:

A reunião de diversas propostas de tratamento que vêm sendo experimentadas atualmente no campo da saúde mental e o mapeamento daquilo que há de comum ou de exclusivo em cada uma das propostas, permite reconhecer – através das intervenções clínicas - uma concepção de tratamento das psicoses que se orienta por problematizar a produção dos modos de relação entre os indivíduos na realidade do mundo, visibilizando em cada modalidade terapêutica aspectos de exclusão, de reclusão, de adaptação ou de composição das possibilidades de existir e agir.

Tais procedimentos, em consonância com os objetivos do curso,  favorecem o pensamento crítico a respeito das estratégias para lidar com a problemática psicótica nos adultos, nos adolescentes e nas crianças.

 

CONTEÚDO:

As referências teórico-práticas da disciplina serão a Psicanálise, o Movimento Institucionalista e a Reforma Psiquiátrica.

As aulas consistirão em apresentações teóricas ou em relatos de experiências institucionais realizadas por profissionais convidados, ambos servindo para informar e deflagrar discussões com o conjunto dos alunos.

O programa da disciplina será ministrado em dois blocos temáticos. Primeiramente, serão abordadas as formas para a Reforma Psiquiátrica; num segundo momento, serão tematizados os relatos de experiências feitos por trabalhadores de diferentes instituições de tratamento das psicoses.

 

Primeiro bloco temático - As formas para a Reforma Psiquiátrica

Partindo de experimentações feitas desde os anos 1940 no interior dos hospitais psiquiátricos e das descobertas psicofarmacológicas a partir dos anos 1950, na Europa e nos Estados Unidos da América, um paradigma para tratar os estados psicóticos foi aplicado - primeiramente nos adultos e depois nas crianças e nos adolescentes.

A constituição desse paradigma produziu efeitos na América Latina a partir dos anos 1960.

Desse movimento surgiu, no Brasil, desde o final dos anos 1970, as novas estratégias de tratamento propostas pelos profissionais da saúde mental.

 

Segundo bloco temático - Os relatos de experiências feitos por trabalhadores de diferentes instituições de tratamento das psicoses

O relato de experiências que vêm sendo realizadas na cidade de  São Paulo expõe a diversidade de intervenções propostas junto a pacientes psicóticos e neuróticos graves, sejam eles adultos, adolescentes ou crianças.

Freqüentemente situadas no âmbito dos programas da rede pública de saúde mental, essas experiências terapêuticas serão examinadas em diversos contextos institucionais: hospitais-dia, Centros de Atenção Psicossocial, centros de convivência, residências terapêuticas, oficinas terapêuticas e grupos artístico-terapêuticos (teatro, pintura, literatura, dança, música).

Nos referidos marcos clínico-institucionais, serão abordados o acompanhamento terapêutico, a inclusão escolar, o trabalho com as famílias, assim como a especificidade do atendimento às crianças e aos adolescentes psicóticos.

 

Bibliografia Geral (em conformidade aos pontos programáticos da disciplina):

 

Julien, Philippe, As psicoses - Um estudo sobre a paranóia comum, Rio de Janeiro: Editora Companhia de Freud, 1999.

 

Revista Internacional da História da Psicanálise, número 1, Rio de Janeiro: Imago Editora, 1990.

 

Oury, Jean, Il, donc, Paris: Union Générale d'Éditons, 1978.

 

Basaglia, Franco, A instituição negada - Relato de um hospital psiquiátrico, Rio de Janeiro: Editora Graal, 1995.  

 

Lancetti, Antonio (org.), SaúdeLoucura, vol. 4, São Paulo: Editora Hucitec, 1994.

 

 

Bezerra Jr., Benilton e Amarante, Paulo (org.), Psiquiatria sem hospício - Contribuições ao estudo da reforma psiquiátrica, Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1992.

 

Castel, Robert, La gestion de los riesgos - De la anti-psiquiatria al post-análisis, Barcelona: Editorial Anagrama, 1984.

 

Langer, Marie (org.), Questionamos - A Psicanálise e suas instituições, Petrópolis: Editora Vozes, 1973.

 

Pichon-Rivière, Enrique, El proceso grupal - Del psicoanálisis a la psicología social, 3 vol., Buenos Aires: Editora Nueva Visión, 1983.

 

Cytrynowicz, Mônica, Criança - Enfance - Uma trajetória de psiquiatria infantil, São Paulo: Editora Narrativa Um, 2002.

 

 

DISCIPLINA 16: Espinosa contra Aristóteles: Ciência do Singular e Ciência do Universal na Psicopatologia do Autismo e da Psicose Infantil

 

30 HORAS/AULA

 

RESPONSÁVEL: David Calderoni

Psicólogo, Mestre e Doutor pelo Instituto de Psicologia da USP. Membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae. Autor de “O Caso Hermes: a dimensão política de uma intervenção psicológica em creche – um estudo em psicologia institucional” (Casa do Psicólogo/Fapesp, 2004). Organizador e co-autor de “Psicopatologia: vertentes, diálogos – psicofarmacologia, psiquiatria, psicanálise” (Via Lettera, 2002).

 

 

PROGRAMA

 

OBJETIVOS:

A ciência do universal de Aristóteles circunscreve o conhecimento científico à investigação e à demonstração da inclusão necessária do indivíduo na espécie e da espécie no gênero e considera aquilo que o indivíduo tem de singular como acidente não-científico. Em contrapartida, Espinosa concebe a essência singular de cada homem como passível de conhecimento científico, definindo-a pelo poder de fazer certas coisas que só podem ser conhecidas pelas leis de sua própria natureza. Centrando a bibliografia de apoio nas reflexões clínicas sintetizadas nos trabalhos de mestrado e doutorado do docente (“O Caso Hermes: a dimensão política de uma intervenção psicológica em creche – um estudo em psicologia institucional” e “Memorial de Nair: hipóteses sobre a gênese da simbolização à luz de um suposto caso de psicose e autismo”), a disciplina propõe-se a confrontar as perspectivas científicas de Aristóteles e Espinosa quanto às suas conseqüências para a psicopatologia do autismo e da psicose infantil.

 

JUSTIFICATIVA:

Considerar a singularidade como acidente não-científico, conforme o ponto de vista aristotélico, implica excluir, em nome do genérico e do universal, a possibilidade de um conhecimento e de um tratamento rigoroso do caso psicopatológico concreto, objeto final da intervenção na área da saúde mental. Disso resulta o sacrifício epistemológico e ético do único ao múltiplo, do qualitativo ao quantitativo, do irrepetível ao estatístico. Ora, não se pode nem conhecer, nem beneficiar uma classe de casos, sem fazê-lo com cada caso. Na medida em que a perspectiva espinosana permite fundamentar filosoficamente uma teoria e uma prática psicopatológica que tem como princípio a irredutibilidade e a cognoscibilidade científica do singular, oferece a perspectiva de superar o impasse ético e epistemológico já referido, alicerçando na força singular de cada sujeito a revelação dos princípios práticos e teóricos envolvidos no estabelecimento ou no restabelecimento da sua saúde mental, tal como evidenciado pelas reflexões clínico-teóricas já mencionadas.

 

 

CONTEÚDO:

O programa da disciplina terá como instrumento de estudo literaturas filosóficas e psicopatológicas que permitam fundamentar o acompanhamento das conseqüências teóricas, diagnósticas, institucionais, éticas e clínicas das perspectivas de Aristóteles e de Espinosa, conforme os seguintes pontos programáticos:

 

I) a Ciência, o Universal e o Singular na Metafísica e na Lógica de Aristóteles;

 

II) privação e negação na crítica espinosana das definições genéricas: a carta a Blyenbergh;

 

III) singularidade e generalidade no papel das reações frente ao paciente em Bergeret, Minkowski e Sacks;

 

IV) O Caso Hermes: da alienação institucional à singularidade instituinte;

 

V) O Caso de Nair: a recusa da razão universal como condição existencial.

 

 

BIBLIOGRAFIA (em conformidade aos pontos programáticos da disciplina):

 

Aristóteles. Ética a Nicômaco (Os Pensadores). São Paulo, Abril Cultural, l973.

 

Aristóteles. La Métaphysique (Tome I et II). Paris, Librairie Philosophique J. Vrin, 1953.

 

Aristóteles. The Ethics of Aristotle - The Nichomachean Ethics. Middlesex (England), Penguin Books, 1976.

 

BERGERET, J. Personalidade Normal e Patológica. Porto Alegre: Artes Médicas, 1988.

 

BOVE, L. "Hilaritas et Acquiescentia in se ipso" [Hilaridade e Contentamento íntimo], texto apresentado oralmente na 4ª Conferência "Spinoza by 2000", Jerusalém, l993, mimeo.

 

CALDERONI, D. “A prisão de dores e para além". Laboratório de Psicopatologia Fundamental, PUC/SP, 05/99, mimeo.

 

CALDERONI, D. Memorial de Nair – hipóteses sobre a gênese da simbolização à luz de um suposto caso de psicose ou autismo. São Paulo, 2001, Tese (Doutorado). Instituto de Psicologia. Universidade de São Paulo.

 

CALDERONI, D. O Caso Hermes: a Dimensão Política de uma Intervenção Psicológica em Creche - Um  Estudo em Psicologia Institucional. Dissertação de Mestrado apresentada ao Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, 1994.

 

Castoriadis, C. "A Descoberta da Imaginação" in As Encruzilhadas do Labirinto II - Os Domínios do Homem. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987, p. 335-372.

 

CHAUÍ, M. “A Lógica ou Órganon” in Introdução à História da Filosofia - Dos pré-socráticos a Aristóteles. São Paulo. Editora Brasiliense, 1994.

 

Chauí, M. "Elementos de lógica" e "A Metafísica de Aristóteles" in Convite à Filosofia. São Paulo. Ática. 1994.

 

CHAUÍ, M. "O Contradiscurso de Baruch Espinosa" in Da realidade sem mistérios ao mistério do mundo - Espinosa, Voltaire, Merleau-Ponty. São Paulo. Editora Brasiliense, 1983.

 

CHAUÍ, M. S. A Nervura do real – imanência e liberdade em Espinosa. São Paulo, Companhia das Letras, 1999.

 

Costa pereira, m. e. “O Geral das Estruturas Clínicas e a Singularidade do Sofrimento: encontros e desencontros” in Quinet, A. Psicanálise e Psiquiatria – controvérsias e convergências. Rio de Janeiro, Rios Ambiciosos, 2001, p. 55-68.

 

Cresson, A. Aristóteles (contendo extratos da obra de Aristóteles). Lisboa, Edições 70, l981.

 

Dalgalarrondo, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Artes Médicas, 2000.

 

ESPINOSA, B. “Carta nº 21 de Espinosa a Blyenbergh (Provavelmente entre 21 de janeiro e 19 de fevereiro de 1665)” in Espinosa - Os Pensadores, vol 1, São Paulo. Nova Cultural, 1989.

 

Espinosa, B. "Ética" in Espinosa - vol. II (Os Pensadores), Nova Cultural, São Paulo, 1989.

 

Fédida, P. "Auto-erotismo e autismo: condições de eficácia de um paradigma em psicopatologia" in Nome, figura, memória. A linguagem na situação psicanalítica. São Paulo, Escuta, 1991, p. 149-170.

 

FÉDIDA, P. "De uma psicopatologia geral a uma psicopatologia fundamental. Nota sobre a noção de paradigma" in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, Vol. I, nº 3, setembro de 1998, p.107-121 (publicado originalmente em Pierre Fédida. Crise et contre-transfert. Paris, PUF, 1992, p. 287-301).

 

Heller, A. - Aristóteles y el mundo antiguo. Barcelona, Ediciones Península, l983.

 

MERLEAU-PONTY, M. 'O Filósofo e sua Sombra' " in Merleau-Ponty (Os Pensadores). Nova Cultural, São Paulo, 1989, p. 187-188.

 

Minkowski, E.. El tiempo Vivido. Fondo de Cultura Económica, México, 1973.

 

SACKS, O. Tempo de Despertar. Cia. das Letras, São Paulo, 1997.

 

 

DISCIPLINA 17: Drogas, AIDS e a Clínica Psiquiátrica: da Adolescência à Idade Adulta. 

 

30 HORAS/AULA

 

RESPONSÁVEL: André Malbergier

Médico formado pela Faculdade de Medicina da USP. Residência em psiquiatria pelo Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Mestrado em saúde pública pela University of Illinois em Chicago. Doutorado pela FMUSP. Coordenador do GREA – Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Depto. de Psiquiatria da FMUSP. Professor Colaborador Médico do Departamento de Psiquiatria da FMUSP.

 

 

PROGRAMA

 

OBJETIVOS:

O uso de drogas é hoje um fenômeno mundial que, nos últimos vinte anos, ultrapassou todas as fronteiras sociais, econômicas, políticas e nacionais. Estudos em diversas regiões do mundo confirmaram a possibilidade de rápida transmissão do HIV na população de usuários de drogas injetáveis e não injetáveis. No Brasil, alguns estudos apontam para alta prevalência da infecção pelo HIV em usuários de drogas injetáveis. Esta prevalência varia de 36 a 57% em grandes cidades da região sudeste do país. Este curso tem como objetivo discutir os principais aspectos relacionados à interface entre a infecção pelo HIV e o uso de drogas, familiarizando o aluno com as pesquisas mais recentes no campo da AIDS e psiquiatria.

 

JUSTIFICATIVA:

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) é um problema de saúde pública em vários países do mundo, incluindo o Brasil. A AIDS tem se tornado objeto de interesse por parte de profissionais de saúde mental essencialmente por duas razões: o tropismo do HIV pelo SNC e o impacto psicológico do diagnóstico e da evolução da infecção nos indivíduos afetados. Acrescenta-se a estes fatores, o fato dos pacientes comumente serem jovens e pertencerem a grupos estigmatizados e marginalizados socialmente. Diante disso, desenvolveram-se duas grandes áreas de interesse. A primeira situa-se nos limites da psiquiatria e neurologia e tem como foco de interesse as conseqüências clínicas da ação do HIV e de outras patologias associadas (como por exemplo, neurotoxoplasmose e neurocriptococose) no cérebro. A segunda situa-se nos limites entre a psiquiatria e a psicologia e estuda as reações psicológicas e as complicações psiquiátricas da infecção. A saúde mental é hoje um fator extremamente importante na abordagem dos indivíduos infectados pelo HIV devido à cronicidade de sua doença, o estigma, as dificuldades terapêuticas e a potencial letalidade. Os profissionais de saúde devem estar instrumentalizados para atenderem tais indivíduos, justificando, portanto, disciplinas desta natureza.

 

CONTEÚDO:

 

Drogas

1.      Conceitos gerais: uso, abuso e dependência.

2.      Etiologia, fisiopatologia e diagnóstico. O papel da família no desenvolvimento do consumo de drogas.

3.      Prevenção do consumo de álcool e drogas na adolescência.

4.      Tratamento da dependência de drogas e álcool em adolescentes e adultos.

5.      Seminário. O Uso de drogas e álcool durante a gravidez.

 

AIDS

1.  Definição e epidemiologia.

2.  Fatores de risco.

3.  Alterações psicológicas e psiquiátricas na AIDS.

4.  A relação entre o profissional de saúde mental e paciente com AIDS.

5.  AIDS e drogas.

 

A clínica Psiquiátrica: integrando o diagnóstico dos principais transtornos psiquiátricos ao tratamento

1.  Transtornos depressivos.

2.  Psicoses e esquizofrenia.

3.  Transtorno afetivo bipolar.

4.  Transtornos alimentares.

5.  Transtornos ansiosos.

6.  Seminário.

 

BIBLIOGRAFIA (em conformidade aos pontos programáticos da disciplina):

 

1. ARAÚJO, A.Q.C.; ARAÚJO, A.P.Q.C.; NOVIS, S.A.P. A neuropatogenia do vírus da imunodeficiência humana. Arquivo de Neuropsiquiatria, v. 54, p. 335-345, 1996.

 

2. ATKINSON, J.H.; GRANT, I.; KENNEDY, C.J.; RICHMAN, D.D.; SPECTOR, S.A.; McCUTCHAN, A. Prevalence of psychiatric disorders among men infected with human immunodeficiency virus. A controlled study. Archives of General Psychiatry, v. 45, p. 859-864, 1988.

 

3. ATKINSON, J.H.; GRANT, I. Natural history of neuropsychiatric manifestations of HIV disease. Psychiatric  Clinics of  North America, v. 17, p. 17-33, March 1994.

 

4. BELLINI, M.; BRUSCHI, C. HIV infection and suicidality. Journal of Affective Disorders, v. 38, p. 153-164, 1996.

 

5. BIALER, P.A.; WALLACK, J.J.; PRENZLAUER, S.L.; BOGDONOFF, L.; WILETS, I. Psychiatric comorbidity among hospitalized AIDS patients vs. Non-AIDS patients referred for psychiatric consultation. Psychosomatics, v. 37, p. 469-475, 1996.

 

6. CATALÁN, J.; BURGESS, A.; KLIMES, I.; GAZZARD, B. Psychological Medicine of HIV infection. Oxford, Oxford University Press, 1995. 179p.

 

7. DEW, M.A.; BECKER, J.T.; SANCHEZ, J.; CALDARARO, R.; LOPEZ, O.; WESS, J.; DORST, S.K.;  BANKS, G. Prevalence and predictors of depressive, anxiety and substance use disorders in HIV-infected and uninfected men: a longitudinal evaluation. Psychological Medicine, v. 27, p. 395-409, 1997.

 

8. DILLEY, J.W.; OCHTILL, H.N.; PERL, M.; VOLBERDING, P.A. Findings in psychiatric consultations with patients with acquired immune deficiency syndrome. American  Journal of Psychiatry, v. 142,  p. 82-86, 1985.

 

9. DILLEY, J.W.; FORSTEIN, M. Psychosocial aspects of the human immunodeficiency virus (HIV) epidemic. In: TASMAN, A.; GOLDFINGER, S.M.; KAUFMANN, C.A., ed. Review of Psychiatry. Washington, DC, American Psychiatric Press, Inc., 1990. v. 9, p. 631-655.

 

10. FERRANDO, S.J.; GOLDMAN, J.D.; CHARNESS, W.E. Selective serotonin reuptake inhibitor treatment of depression in symptomatic HIV infection and AIDS. Improvements in affective and somatic symptoms. General Hospital Psychiatry, v. 19, p. 89-97, 1997.

 

11. FULLILOVE, M.D. Anxiety and stigmatizing aspects of HIV infection.  Journal of Clinical Psychiatry,  v. 50, p. 5-8, 1989. Supplement.

 

12. GALA, C.; PERGAMI, A.; CATALÁN, J.; DURBANO, F.; MUSICCIO, M.; BALDEWEG, T.; INVERNIZZI, G. The psychosocial impact of HIV infection in gay men, drug users and heterosexuals. British Journal of Psychiatry, v. 163, p. 651-659, 1993.

 

13. HARRIS, M.J.; JESTE, D.V.; GLEGHORN, A. SEWELL, D.D. New-onset psychosis in HIV-infected patients. Journal of Clinical Psychiatry, v. 52, p. 369-376, 1991.

 

14. JOHNSON, J.G.; WILLIAMS, D.S.W.; RABKIN, J.G.; GOETZ, R.R.; REMIEN, R.H.  Axis I psychiatric symptoms associated with HIV infection and personality disorder. American Journal of Psychiatry, v. 152, p. 551-554, 1995.

 

15. LIMA, A.L.M.; KIFFER, C.R.; UIP, D.E.; OLIVEIRA, M.S.; LEITE, O.M. HIV/AIDS. Perguntas e Respostas. São Paulo, Editora Atheneu,  1996. 351p.

 

16. LIPSITZ, J.D.; WILLIAMS, J.B.W.; RABKIN, J.G.; REMIEN, R.H.; BRADBURY, M.; SADR, W. EL.; GOETZ, R.; SORREL, S.; GORMAN, J.M. Psychopathology in male and  female intravenous drug users with and without HIV infection. American Journal of Psychiatry, v. 151, p. 1662-1668, 1994. 

 

17. LYKETSOS, C.G.; HANSON, A.L.; FISHMAN, M.; ROSENBLAT, A.; McHUGH, P.R.; TREISMAN, G.J.  Manic syndrome early and late in the course of HIV infection. American  Journal of  Psychiatry, v. 150, p. 326-327, 1993.

 

18. MALBERGIER, A.; PANNUTI, D. Alterações psicopatológicas em indivíduos infectados pelo vírus da AIDS: revisão da literatura. Revista ABP-APAL, v. 15, p. 128-134, 1993.

 

19. MALBERGIER, A.  AIDS in the injecting drug population: a public health challenge. Drugs: Education, Prevention and Policy, v. 1, p. 259-273, 1994.

 

20. MALBERGIER, A.;  STEMPLIUK, V.A. Os médicos diante do paciente com AIDS: atitudes, preconceitos e dificuldades. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, v. 46, p. 265-273, 1997.

 

21. MALBERGIER, A. AIDS e Psiquiatria. Um guia para os profissionais de saúde. Editora Revinter, Rio de Janeiro, 2000.

 

22. PERRY, S.; FISCHMAN, B. Depression and HIV. How does one affect the other? JAMA, v. 270, p. 2609-2610, 1993.

 

23. RABKIN, J.G.; GOETZ, R.R.; REMIEN, R.H.; WILLIAMS, J.B.W.;  TODAK, G.; GORMAN, J.M. Stability of mood despite illness progression in a group of homosexual men. American Journal of  Psychiatry, v. 154, p. 231-238, 1997.

 

 

 

DISCIPLINA 18: Milagre, Mistério, Enigma: da Literatura à Psicanálise

 

15 HORAS/AULA

 

RESPONSÁVEL: Noemi Moritz Kon

Psicóloga, Mestre e Doutora em Psicologia Social pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae. Professora da disciplina História da Psicanálise: Pressupostos que fundamentam a Teoria Psicanalítica no curso “Saúde Mental: Teoria Psicanalítica” do Laboratório de Saúde Mental Coletiva do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Autora de Freud e seu Duplo: Reflexões entre Psicanálise e Arte, São Paulo, Edusp/Fapesp, 1996 e A Viagem: da Literatura à Psicanálise, São Paulo, Cia. das Letras, 2003.

 

PROGRAMA

 

 

OBJETIVOS:

Esta disciplina procurará abordar as relações entre Psicanálise e Literatura, ao enfocar os vínculos da criação freudiana com uma produção literária determinada, própria à metade do século XIX, denominada ‘Literatura Fantástica’. Procurará compreender o momento inicial do movimento de criação do pensamento psicanalítico, considerando as condições de possibilidade de sua montagem, naquilo que ele compartilha, desde sua origem, com a literatura. Procurará, ainda, demonstrar que a nova subjetividade moderna erigida pelo pensamento psicanalítico, que implica uma interioridade inédita do humano, a realidade-psíquica, surge num movimento de superação das ‘teorias da alma’, propostas por diversos autores do gênero fantástico.

 

 

JUSTIFICATIVA:

Abordar a obra freudiana por intermédio de uma linhagem literária, contextualizando-a em seu universo espiritual, não é sem conseqüências. Permite que se interrogue o viés restritivo e cientificista da disciplina e que se ressalte o vértice criador da psicanálise, estreitando o parentesco que esta mantém com a criação artística. Permite, igualmente, que se ressalte o caráter ficcional, criador de realidades, inerente ao saber psicanalítico.

 

 

CONTEÚDO:

O programa da disciplina se desenvolve a partir de quatro eixos: a teoria freudiana, a historiografia geral e psicanalítica em particular, a crítica literária e a narrativa literária do gênero fantástico.

O objetivo da disciplina é permitir a visualização do processo de criação de uma nova teoria da alma e, portanto, de uma nova subjetividade, com a criação de um novo lócus, a realidade-psíquica e o inconsciente freudiano, a outra cena da consciência.

Para consolidar nosso alvo serão lidos e discutidos textos que permitam o conhecimento do contexto cultural e literário no qual foi criada a teoria psicanalítica, com vistas ao discernimento de três diferentes gêneros literários que, no interior do movimento literário ocidental, se sucederam: o Gênero Maravilhoso, o Gênero Fantástico e o Gênero Estranho. Utiliza-se a denominação e a classificação estrutural de Gênero Literário, estabelecida pelo esteta Tzvetan Todorov, em sua obra Introdução à Literatura Fantástica. A partir desta conceituação, aliando, ainda, o conhecimento historiográfico, passaremos a nos debruçar sobre os textos literários de Edgar Allan Poe, Robert Louis Stevenson, Machado de Assis, Guy de Maupassant, representantes maiores da linhagem fantástica, na tentativa de compreender uma mudança de entendimento da subjetividade humana. A obra de Freud será por fim utilizada para que se possa compreender a função da psicanálise na criação de uma nova interioridade para o humano, numa tentativa de substituir o mistério do fantástico pelo enigma psicanalítico.

O programa da disciplina tem como pauta os seguintes pontos programáticos:

 

A.    Apresentação do Programa e a substituição do milagre pelo mistério. Leitura e discussão do conto‘O Gato Preto’ de Edgar Allan Poe: o Gênio da Perversidade.

B.     Historiografia e Historiografia Psicanalítica: Freud e Charcot, Histeria e Fantástico.

C.     Tzvetan Todorov e Roger Caillois: A Crítica Literária e os Três Gêneros Literários.

D.    Robert Louis Stevenson. O Médico e o Monstro: o bem e o mal.

E.     Machado de Assis. ‘O Espelho’ e ‘O Alienista’: a alma interna e a alma externa.

F.      Guy de Maupassant. ‘O Horla’, ‘Le Fantastique’ e ‘Carta de um Louco’: a alma vampirizada.

G.    Sigmund Freud. Psicanálise, Literatura, Mistério e Enigma. O Estranho, Neurose Demoníaca, Psicanálise e Telepatia: a alma dividida.

 

 

BIBLIOGRAFIA (em conformidade aos pontos programáticos da disciplina):

 

A.    Apresentação do Programa e a substituição do milagre pelo mistério: ‘O Gato Preto’ de Edgar Allan Poe: o Gênio da Perversidade.

 

a.1. Poe, E. A., ‘O Gato Preto’(1843), in Contos de Terror, Mistério e Morte, Rio de janeiro, Ed. Nova Fronteira, 1981.

a.2. Kon, N. M., ‘De Poe a Freud – O Gato Preto’, in Bartucci, G. (org.), Psicanálise, Literatura e Estéticas de Subjetivação, Rio de Janeiro, Imago, 2001.

 

B.     Historiografia e Historiografia Psicanalítica: Freud e Charcot, Histeria e Fantástico.

 

b.1. Roudinesco, E., História da Psicanálise na França, A batalha dos Cem Anos, Vol. I, Rio de Janeiro, Jorge Zahar ed., 1989.

b.2. Perrot, M. (org.), História da Vida Privada, Da Revolução Francesa à Primeira Guerra, coleção dirigida por Ariès, P. e Duby, G., São Paulo, Cia. das Letras, 1991.

 

C. Tzvetan Todorov e Roger Caillois: A Crítica Literária e os Três Gêneros Literários.

 

c.1. Todorov, T., Introdução à Literatura Fantástica, São Paulo, Ed. Perspectiva, 1975.

c.2. Caillois, R., ‘De la Féerie a la Science-Fiction’, in Anthologie du Fantastique, Paris, Gallimard, 1966.

 

D. Robert Louis Stevenson. O Médico e o Monstro: o bem e o mal.

 

d.1 Stevenson, R. L., Jekyll e Hyde (The Strange Case of Doctor Jekyll and Mister Hyde, 1886), Rio de Janeiro, Newton Compton Brasil, 1992.

 

H.    E. Machado de Assis. ‘O Espelho’ e ‘O Alienista’: a alma interna e a alma externa.

 

e.1. ‘O Alienista’ (1882), in Machado de Assis Contos/ Uma Antologia, São Paulo, Cia. das Letras, 1998. Seleção, introdução e notas de Gledson, J.

e.2 ‘O Espelho’, Esboço de uma Nova Teoria da Alma’ (1882), in Machado de Assis Contos/ Uma Antologia, São Paulo, Cia. das Letras, 1998. Seleção, introdução e notas de Gledson, J.

 

I.       F. Guy de Maupassant. ‘O Horla’, ‘Le Fantastique’ e ‘Carta de um Louco’: a alma vampirizada.

 

f.1. ‘O Horla’, primeira versão (1886), in Guy de Maupassant, Contos Fantásticos. O

Horla e Outras Histórias, Porto Alegre, L&PM., 1997.

f.2. ‘O Horla’, segunda versão (1887), in Guy de Maupassant, Contos Fantásticos. O Horla e Outras Histórias, Porto Alegre, L&PM., 1997.

f.3 ‘Le Fantastique’ (1883), Maupassant, Choses et autres, França, Lê Livre de Poche, 1993.

f.4. ‘Carta de um Louco’ (1885), in Guy de Maupassant, Contos Fantásticos. O Horla e Outras Histórias, Porto Alegre, L&PM., 1997.

 

J.       Sigmund Freud: Psicanálise, Literatura, Mistério e Enigma. O Estranho, Neurose Demoníaca, Psicanálise e Telepatia: a alma dividida.

 

g.1 Correspondência de Amor e outras Cartas (1873-1939), edição preparada por Freud, E. L., Rio de Janeiro, Nova fronteira S. A., 1982.

g.2 ‘Escritores Criativos e Devaneio’ (1908[1907]) ]), Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Rio de Janeiro, Imago, 1976, Vol. IX.

g.3 ‘O Estranho’(1919), Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Rio de Janeiro, Imago, 1976, Vol. XVII

g.4 ‘Psicanálise e Telepatia’ (1941[1921]), Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Rio de Janeiro, Imago, 1976, Vol. XVIII.

g.5 ‘Uma Neurose Demoníaca do Século XVII’ (1923 [1922]), Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Rio de Janeiro, Imago, 1976, Vol. XIX.

 

 

DISCIPLINA 19: Melancolia e Depressão

 

15 HORAS/AULA

 

RESPONSÁVEL: Audrey Setton L. de Souza

Psicóloga, psicanalista, Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

 

 

PROGRAMA

 

OBJETIVO:

Retomar, no contexto da metapsicologia freudiana, a problemática dos estados e fenômenos depressivos e sua circunscrição em relação à melancolia, especialmente no que diz respeito a suas manifestações contemporâneas na infância e na adolescência.

 

JUSTIFICATIVA:

Os quadros depressivos constituem a corrente central de demanda de tratamento junto à psiquiatria e têm movimentado o consumo mais significativo de remédios na vida contemporânea. Observa-se cada mais o aumento de manifestações depressivas em fases precoces do desenvolvimento. O que interroga a psicanálise em sua prática e seu pensamento.

 

CONTEÚDO:

O exame da depressão no projeto metapsicológico freudiano manterá uma interlocução com correntes e autores pós-freudianos. Percurso acompanhado de ilustrações clínicas e discussão com a literatura psicopatológica (psicanalítica e não-psicanalítica).

 

O programa da disciplina incluirá a abordagem dos seguintes temas:

 

1. Depressão e psicopatologia.

2. Depressão no contexto histórico da psicanálise.

3. Eixo narcísico das depressões.

4. Depressão e desamparo.

5. Dor, depressão e angústia na origem do sujeito.

6. A economia depressiva.

7. Função depressiva e papel do objeto.

8. A depressão na organização e manejo da clínica psicanalítica.

 

 

BIBLIOGRAFIA (em conformidade aos pontos programáticos da disciplina):

 

Abraham K. (1924) Teoria Psicanalítica da Libido - Sobre o caráter e o desenvolvimento da libido. Rio de Janeiro, Imago.1970.

Delouya D. (2000) Depressão. São Paulo, Casa do Psicólogo, 2000.

(2002) Depressão, estação psique: refúgio, espera, encontro. São Paulo, Escuta/Fapesp.

(2002) A tesura depressiva: histeria e fantasia. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental (no prelo)

Green A. (1983) Narcisismo de Vida, Narcisismo de Morte, São Paulo, Escuta, 1988.

A loucura pessoal, Rio de Janeiro, Imago, 1993.

Fédida P. (1999) Depressão. São Paulo, Escuta. (Org. e prefácio, Daniel Delouya)

(2001) Des Bienfaits de la Dépression, Paris, Odil Jacob.

Klein M. (1921) "O desenvolvimento de uma criança" In: Amor, culpa e reparação e outros trabalhos 1921-1945, Vol. 1 das Obras completas, Rio de Janeiro, Imago, 1996.

(1935) "Uma contribuição sobre a psicogênese dos estados maníaco- depressivos", In: Amor... [op.cit. supra]

(1946) "Notas sobre alguns mecanismos esquizóides" In: Inveja e gratidão e outros trabalhos. Vol. III, Obras completas, Rio de Janeiro, Imago, 1998.

Kristeva J. (1987) Sol negro. Rio de Janeiro, Rocco, 1992.

Lacan J. (1948) "A agressividade em psicanálise" in: Escritos, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1999.

(1949) "O Estádio do espelho como formador da função do eu", In: Escritos.

Rado S.(1928) "O problema da melancolia" (1994), Revista Pulsional 61:10-24.

Rank O. (1914) "O reflexo, símbolo do narcisismo" In: O duplo, 1914.

Schur M. (1972) Vida e agonia, Rio de Janeiro, Imago, (1988).

Torok M. & Abraham N. (1987) A casca e o núcleo, São Paulo, Escuta, 1995.

Winnicott D.W. (1956) "Preocupação materna primária" in: Winnicott, (1968) Da pediatria à psicanálise, São Paulo, F.Alves, 1988.

(1963) "O medo de desmoronamento in: Explorações Psicanalíticas, São Paulo, Martins Fontes, 1997.

(1963) "O valor da depressão" in: Tudo começa em casa, Porto alegre, Artes Médicas, 1995.

(1971) O brincar e a realidade, Rio de Janeiro, Imago, 1975.

 

 

DISCIPLINA 20: Psicanálise e Saúde Pública

 

15 HORAS/AULA

 

RESPONSÁVEL: Alberto Olavo Advincula Reis

Professor Doutor do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da USP.

 

PROGRAMA

 

 

OBJETIVOS:

A disciplina tem como objetivo estabelecer a interface entre os campos de reflexão e ação da Saúde Pública e da Psicanálise. Para tanto, partirá da discussão dos fundamentos epistemológicos desses dois espaços e dos métodos e teorias que os sustentam.

 

 

JUSTIFICATIVA:

As políticas públicas voltadas à criança e ao adolescente receberam uma resposta operária no campo da saúde pública. No tocante à saúde mental desses extratos populacionais, uma série de iniciativas pioneiras estão sendo levadas a termo em que pese sua insipiência. A psicanálise, quer pela sua fecundidade, quer pela sua vocação inicial, tem importante papel a desempenhar junto aos equipamentos sociais voltados à atenção da criança e do adolescente em estado de sofrimento psíquico. Assim, a presente disciplina se justifica por discutir e analisar as condições dessa inserção.

 

CONTEÚDO:

A disciplina será desenvolvida em duas partes:

 

  1. Conceitos fundamentais.

· Elementos da história da Saúde Pública

· O Grupo Materno-Infantil

· Transição epidemiológica e advento das Ciências Humanas na Saúde Pública

· Psicanalistas e dentistas: herdeiros da medicina liberal do séc. XIX

· É a psicanálise social?

· Sonho como mito do indivíduo e Mito como sonho dos povos: questão de método

· As obras culturais de  Freud e seus significados.

 

II. A Psicopatologia da Ética

· A criança e o adolescente como sujeitos de direito.

· A psicanálise como clínica da palavra e da responsabilidade.

· Formações psicopatológicas da criança e do adolescente.

· A criança na família e nas instituições.

 

BIBLIOGRAFIA (em conformidade aos pontos programáticos da disciplina)

 

FOUCAULT, M. (1974) Saúde e Loucura

 

FREUD, S. (1985) Totem e tabu, Imago, RJ

 

KEHL, M.R. (2000) Função paterna, R.J, Releme Damará, R.J.

 

Mental Health: new understanding, new hope. (2001) França: World Health Organization.

 

LASCH, C. Refúgio no mundo sem coração, (1986), Paz e Terra, R.J.

 

Programa Agentes Comunitários de Saúde – PACS (2000) Brasília: Ministério da Saúde.

 

Ações prioritárias na atenção básica em saúde. (2000) Secretaria executiva. Brasília: Mistério da Saúde.

 

Programa de Saúde da Família. (1994) Brasília: Ministério da Saúde.

 

Revista Brasileira de Saúde da Família. (2000) Brasília: Ministério da Saúde.

 

Revista da Saúde Pública, 32 (4); pp. 299-316.

 

Revista Brasileira de Saúde da Família. (1999) Brasília: Ministério da Saúde.

 

Revista USP nº 43 (1999) Psiquiatria e Saúde Mental. São Paulo, setembro/novembro.

 

ROSEN, G. (1994) Uma história da saúde pública. São Paulo: Edunesp, Hucitec e Abrasco.

 

TRAD, L. A. B. e BASTOS, A.C. de S. (1998) “O impacto sócio-cultural do Programa de Saúde da Família (PSF): uma proposta de avaliação” in Cadernos de Saúde Pública, RJ, 14 (2), abr-jun, 1998; pp. 429-435.

 

BLEGER, j. (1988) Psico-higiene e psicologia institucional. Porto Alegre: Artes Médicas.

 

CAMPOS, G. W. DE Sousa (1992) “Modelos de atenção em saúde pública: um modo mutante de fazer saúde” in Saúde em  Debate, no 37/dez 92; pp. 16-19.

 

Carta de Otawa (1986) Organização Mundial de Saúde.

 

DEPARTAMENTO DE ATENÇÃO BÁSICA – Secretaria de  Políticas de Saúde (2000).

 

 

“Programa de Saúde da Família” in Revista de Saúde Pública, 34 (3); pp. 316-319.

 

DIMITROV, P. (2000) “Saúde da família sim! E daí?” in Revista Momento APSP, dez/2000.

 

ENGELS, F. A origem da família, da propriedade e do Estado

 

FERNANDES, M. I. A. (1999) “Saúde mental: a clausura de um conceito” in Revista USP nº 43 “ Psiquiatria e Saúde Mental”, pp.90-99.

 

FORATTINI, O. P. (2000) “A saúde pública no século XX” in Revista de Saúde Pública, 34 (3); pp. 211-213.

 

FOUCAULT, M. História da sexualidade. Vol.2 O uso dos prazeres. III. Econômica I. A sabedoria do casamento., 1990, R.J., Graal.

 

FOUCAULT, M. História da sexualidade. Vol.3. O /cuidado de si III. Eu e o os Outros. O papel matrimonial. V. A Mulher. 1. O vínculo conjugal. 2. A questão do monopólio. 3. Os prazeres do casamento, 1985, R.J., Graal.

 

GREGORI, M. F. Desenhos familiares: pesquisa sobre crianças e adolescentes de rua.

 

 

 

ATIVIDADE EXTRADISCIPLINAR: Seminários Psicanalíticos

22,5 Horas/aula

 

RESPONSÁVEL: Alberto Reis

Professor Doutor do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da USP.

 

 

OBJETIVOS:

Os seminários clínicos buscam constituir um espaço de reflexão permanente sobre a clínica psicoterápica, bem como um espaço de estudo da tradição e da história dessa clínica ao longo do seu primeiro século de existência.

 

JUSTIFICATIVA:

É imprescindível para um curso de psicopatologia a reflexão sobre casos clássicos que demonstrem os modelos teóricos e técnicos dos principais momentos e escolas em psicoterapia, com ênfase na história da psicanálise, pela sua riqueza conceitual e pelos limites psicopatológicos que esta disciplina está sempre a expandir. Estes relatos clínicos serão trabalhados em conjunto com a clínica contemporânea realizada pelos membros do curso. Além disso, o seminário estará atento também aos relatos das relações clínicas na sua vertente contra-transferencial, ou seja, o efeito psíquico do encontro com o paciente e com a teoria no psiquismo do próprio psicoterapeuta.

 

 

CONTEÚDO:

Casos clínicos a serem estudados:

 

de Breuer:

Srta. Anna O. (1881)

 

de S. Freud:

Katharina

Srta. Elisabeth von R.

Dora

O pequeno Hans

O homem dos ratos

O homem dos lobos

 

de Abraham:

Breve  Estudo do Desenvolvimento da Libido, Visto à Luz das Perturbações Mentais

 

de Ferenczi:

A pulsão de Morte da Crianças Mal Acolhida

Confusão de Linguas entre a Criança e o Adulto

Diário Clínico

 

de Melanie Klein:

Psicanálise da Criança capítulos 1,2,3

Richard

 

de M.-A. Sechehaye:

A Realização Simbólica, Diário de Uma Esquizofrênica

 

de Françoise Dolto:

Sensações Cenestésicas de Bem-Estar ou Mal-Estar

Cura Psicanalítica com a ajuda da boneca flor

No Jogo do Desejo, Dados Viciados e Cartas Marcadas

 

de Maud Mannoni:

Primeiras Entrevistas em Psicanálise

 

de D.W. Winnicott:

Apetite e perturbação emocional

A observação de bebês em uma situação estabelecida

A tolerância do sintoma na pediatria

O ódio na contratransferência

Consultas Terapêuticas em Psiquiatria infantil

Piggle

 

de W.R Bion:

Estudos Psicanalíticos Revisitados

Cogitações

 

de M. Masud Khan:

Hidden Selves

Quando a Primavera Chegar

 

Serão ainda considerados casos de autores pós-freudianos contemporâneos, tais como Greenson, LeGuen e Mezan.

 

 

 

ATIVIDADE EXTRADISCIPLINAR: Seminários Psiquiátricos

22,5 horas/aula

 

Responsável: Clarice Gorenstein

Psicofarmacologista; mestrado e doutorado pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP; pós-doutorado no National Institutes of Health, USA; Profa. Associada do Departamento de Farmacologia do ICBUSP, Pesquisadora do LIM-23, Instituto de Psiquiatria FMUSP; Professora Credenciada nos Programa de Pós-Graduação em Farmacologia do ICBUSP, em Neurociências e Comportamento do IPUSP; em Fisiopatologia Experimental da FMUSP; em Psiquiatria da FMUSP; Pesquisadora do CNPq.

 

DIRETRIZES PROGRAMÁTICAS

 

1. Examinar, do ponto de vista epistemológico, as regras que nortearam a construção das categorias psicopatológicas desde a sua constituição primeira como ciência.

 

2. Capacitar o aluno a identificar as principais funções psíquicas e seus distúrbios, desenvolvendo o raciocínio clínico que permita o agrupamento dos sintomas na delimitação das síndromes psicopatológicas.

 

3. Familiarizar os alunos com os conceitos básicos de farmacologia e aspectos principais da farmacologia de psicofármacos, considerando suas repercussões terapêuticas.

 

4. Capacitar os alunos à avaliação crítica das duas principais classificações de doenças mentais da atualidade, a Classificação Internacional de Doenças 10a. Edição (CID 10) e o Manual Diagnóstico e Estatístico - 4a. Edição (DSM IV).

 

5. Apresentar os principais conceitos da genética e debater sobre a sua influência nas ciências da saúde e em particular na psiquiatria.

 

6. Discutir os principais aspectos relacionados à interface entre a infecção pelo HIV e o uso de drogas, familiarizando o aluno com as pesquisas psiquiátricas mais recentes no campo da AIDS em sua relação com a dependência química.

 

 

 

 

ATIVIDADE EXTRADISCIPLINAR: Conferências Temáticas

 

45 HORAS/AULA

 

RESPONSÁVEL: Francisco Lotufo Neto

Professor Associado do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Coordenador do Ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Responsável pelo Serviço de Residência Médica do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

 

PROGRAMA

 

 

OBJETIVOS:

O objetivo da série de conferências é oferecer a oportunidade tanto de um refinamento como de um questionamento do conceito de psicopatologia por meio do intercâmbio com pensadores de outras disciplinas que se remetem a este tema.

 

 

JUSTIFICATIVA:

A pluralidade de visões das disciplinas a partir das quais dar-se-á o discurso dos conferencistas permitirá contextualizar, geográfica e historicamente, a construção do conhecimento psicopatológico.

 

 

CONTEÚDO:

O programa das conferências temáticas incluirá a abordagem dos seguintes tópicos:

1- Psicopatologia e Antropologia

2- Psicopatologia e História

3- Psicopatologia e Arte: literatura, teatro, cinema e artes visuais

4- Psicopatologia e Filosofia

5- Psicopatologia e Religião