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Síndrome do Pânico e Modernidade
A mais nova invenção da psiquiatria e talvez a mais velha angústia
do ser humano, hoje encontram-se entrelaçadas naquilo que se denomina
"Síndrome do Pânico".
Desde que a psiquiatria assumiu, na área da medicina, o tratamento das
"doenças mentais" houve diversas tentativas de catalogar o
sofrimento humano, gerando ano após ano novas estruturas
classificatórias e diferentes quadros psicopatológicos. O sofrimento
humano foi então elevado ao nível de distúrbios emocionais e
subdividido, medido, quantificado e categorizado.
A intenção deste imenso e contínuo trabalho foi poder dar mais
precisão e verificar a eficácia dos medicamentos psicofarmacológicos,
produzidos atualmente em escalas comerciais jamais vista.
Os medicamentos desde então evoluíram muito e hoje já não se
concebe mais pensarmos em prescindirmos deles. A psicofarmacologia é hoje
uma grande aliada de diversos tratamentos.
Entretanto enganou-se e engana-se quando imaginamos que o sofrimento
humano seja algo derivado de um desarranjo químico, em outras palavras
que disfunções químicas sejam responsáveis por nossas angústias e
ansiedades. Os sofrimentos podem ter sim correlatos químicos e ser
aplacado através de medicamentos, mas a sua essência é
fundamentalmente existencial.
O que quer dizer isto? O que quer dizer que o sofrimento humano não é
uma disfunção química, mas existencial?
Quer dizer que a vida em si mesma é portadora de angústias e
ansiedades. Que a vida trás consigo uma série de questões, impasses e
dificuldades que terão que ser por nós vivenciados e administrados.
A síndrome do pânico descrita hoje pela psiquiatria
como: "uma sensação de catástrofe iminente", apresentando uma
série de sintomas tais como: tensão muscular, palpitações, tontura,
náusea, dificuldade de respirar, confusão, medo de perder o controle,
medo de morrer; talvez seja a "doença", na concepção
psiquiátrica, e o sofrimento, na concepção psicanalítica, que mais
traduza o mal estar do ser humano deste último século.
Mal estar que reflete a ausência de ideais e a sensação de se
estar abandonado no mundo, a mercê de dinâmicas sociais
perversas.
A síndrome do pânico reflete a orfandade dos homens que já não
possuem norteadores para suas vidas a não ser o sucesso que hoje se
traduz como ganhos materiais.
Órfãos do mundo novo eis o que somos. Pânico é o que todos
deveríamos experimentar se tivéssemos coragem ou possibilidade de olhar
à nossa volta "globalmente" falando.
Que nosso sofrimento possa ser amenizado por drogas legalizadas,
possibilitando uma apropriação maior dos rumos de nossas vidas é justo,
mas que se afirme que tenhamos disfunções químicas e por isto sofremos
é loucura, ou mais apropriadamente falando é perverso.
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