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O OLHAR DO
ENGANO
Autismo e Outro
primordial
Sumário Prefácio
Apresentação Introdução
De uma questão clínica a uma indagação teórica Uma questão clínica Uma indagação teórica Capítulo I - O conceito de
Outro
Introdução Relatos O advento do Outro na teoria Psicanalítica O conceito de Outro em Freud e Lacan Capítulo II - As faces do Outro na constituição do
sujeito
Preâmbulo O Outro absoluto O Outro da alienação O Outro da separação O Outro Primordial Capítulo III - Olhar e desenvolvimento sexual em
Freud
Uma primeira indicação A teoria do apoio Algumas palavras sobre o conceito de pulsão Olhar X teoria do apoio A noção de investimento libidinal Uma segunda indicação sobre o olhar constitutivo em Freud O conceito de narcisismo A constituição do narcisismo primário e o lugar do outro Eu ideal e ideal do eu Considerações finais sobre o olhar constitutivo do outro em Freud Capítulo IV - O estádio do espelho e os esquemas ópticos de
Lacan
Preâmbulo O estádio do espelho Os esquemas ópticos O primeiro esquema O segundo esquema Algumas decorrências do segundo esquema Uma pequena síntese O terceiro desdobramento do esquema óptico O último esquema Algumas palavras sobre o objeto a Observações sobre - φ Comentários finais sobre o último desdobramento do esquema Conclusão: O olhar constituinte do Outro
primordial
Iniciando um momento concluir De volta ao chiste Uma rede de termos Do chiste à criação do sujeito Os Passos do chiste O Outro que se engana "L´etonnement de l´Autre maternel" ou a capacidade de surpreender-se do Outro primordial Do peu-de-sens ao pas-de-sens - passos constituintes do olhar do Outro primordial Reencontrando Marcos O desfecho Bibliografia
Prefácio: ...os efeitos só se comportam bem na ausência da causa. Todos os efeitos estão submetidos à pressão de uma ordem transfactual, causal, que exige entrar em sua dança, mas, se eles se dessem a mão bem apertado, como na canção, fariam obstáculo a que a causa se imiscuísse em sua roda... A causa inconsciente é um μη öv, da interdição que leva um ente ao ser, malgrado seu não-advento, ela é uma função do impossível sobre a qual se funda uma certeza.
(Lacan, J., 1964, Seminário XI, p. 124) Introduzir
esse trabalho, dar-lhe um adorno, um prefácio, é uma tarefa difícil, quiçá
impossível. Impossibilidade imanente ao tema que ele propõe, qual seja, a
questão da origem, ou mais especificamente, do Outro primordial.
Impossibilidade que, diferente da impotência, nos propicia trabalhar e refletir
sobre o que, a propósito da origem, podemos construir para além (ou
através) do mito. Se o mito serve para responder de forma épica ao que é
próprio da estrutura, de fato esse texto nos serve para dar conta do que é
a estrutura ou a constituição do sujeito através do conceito de Outro
primordial. Evitando
cair em uma realidade em si (seja o social, seja o sentido, seja a realidade
físico-biológica), a autora consegue percorrer teórica e clinicamente a
questão, sempre a posteriori, da resposta do sujeito frente ao campo do
Outro. Nesse sentido, o Outro, dito primordial,
apresenta sempre algo, utilizando a bela expressão do titulo do trabalho, de um
olhar do engano. Olhar definido propriamente como objeto-causa de desejo,
já que, longe de trazer garantia de tudo representar, esse objeto introduz uma
falta no campo do Outro, abrindo um leque de possibilidade de significações
e propiciando, concomitantemente, o que daí vai advir como certeza, a saber, o
sujeito. Diferentemente
daqueles que acreditam em um mito de um Outro primordial sem falta, Lia Ribeiro
Fernandes tem a virtude de sustentar que o Outro, introduzindo o engano, tem uma
dimensão criativa primordial, dimensão sem a qual o sujeito não poderia se
constituir. Desvencilhando-se do vício maniqueísta de pensar o Outro em uma
dimensão ideal - Outro como garantia ou causa única do sujeito a advir — a
autora, ao pensar clinicamente um caso extremo, do que fenomenicamente
denominamos autistas, tenta escapar de um duplo engodo: do lado do campo do
Outro, evitar reduzir o Outro primordial à única causa da constituição do
sujeito — o que levaria a dimensão da culpa —, do lado do sujeito, não
referi-lo como em déficit (estruturalmente) frente a um desenvolvimento
ideal. Sem,
portanto, cair na circularidade culpa/ressentimento, Lia consegue de maneira
rigorosa pensar, a partir daquilo que falta, do que “tropeça”, a constituição
não somente de Marcos, um sujeito na condição de “abandono”, mas também, e a
partir desse caso-limite, a impossibilidade constituinte de todo ser
falante. Ana
Beatriz Freire Lia Ribeiro Fernandes é psicanalista e vem se dedicando clínica psicanalítica há mais de dez anos. Tem privilegiado, ao longo dos anos, o estudo do tema da constituítivo do sujeito e, mais recentemente, da clínica do autismo - seu percurso teórico sempre se dando no eixo dos textos de Freud e Lacan. Como psicanalista, desenvolve não só um trabalho de atendimento mas também de supervisão e formação - no consultório e na Universidade. Sua formação acadêmica é psicologia, com especialização em Psicologia Clínica pela USP e Mestrado em Teoria Psi
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Outro primordial, ou comentários, dúvidas e sugestões para a
autora ligue para (0xx11) 3666-3154 ou envie um email liafernandes@uol.com.br |
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